domingo, 18 outubro 2026

Ex-ministro da Defesa diz ter sido demitido por contradizer Netanyahu sobre guerra e reféns

"Fui demitido por causa de um desacordo sobre três questões: a minha posição firme sobre o recrutamento universal [incluindo de judeus ultraortodoxos], o compromisso de devolver os reféns e a necessidade de uma comissão de inquérito estadual sobre o dia 07 de outubro", frisou Gallant, durante um discurso televisionado.

Israel deve garantir o regresso dos reféns mantidos em cativeiro "o mais rapidamente possível" e "enquanto estiverem vivos", mesmo à custa de um "doloroso compromisso", frisou.

Gallant defendeu também que "todos devem servir no exército e participar na missão de defender o Estado", referindo-se aos homens da comunidade judaica ultraortodoxa, alguns dos quais estavam isentos do serviço militar até decisão contrária do Supremo Tribunal em junho.

Netanyahu, por seu lado, recusa-se a implementar esta ordem jurídica face à ameaça expressa dos dois partidos ultraortodoxos da sua coligação - Shas e Judaísmo da Torá Unida - de desmembrar o Governo se os seus jovens, até agora dedicados durante toda a vida à oração e ao estudo da Torah, forem recrutados.

Gallant apelou ainda à necessidade de implementar uma "investigação profunda", através de uma comissão nacional, para identificar os responsáveis pela violação de segurança que permitiu o ataque múltiplo e letal do Hamas em solo israelita há mais de um ano.

Netanyahu demitiu na terça-feira o ministro da Defesa, Yoav Gallant, com quem as relações se tornaram tensas durante a guerra em Gaza, e nomeou para o substituir o atual chefe da diplomacia, Israël Katz.

"Surgiram divergências significativas entre mim e o senhor Gallant na condução da campanha [militar], acompanhadas de declarações e ações que contradiziam as decisões do Governo e do gabinete", frisou Netanyahu.

Israël Katz, até agora chefe da diplomacia israelita - cargo que será a partir de agora ocupado por Gideon Saar, anunciou Netanyahu -, "já deu provas das suas capacidades e dos seus contributos para a segurança nacional", escreveu o primeiro-ministro para explicar a sua escolha.

Katz foi ministro das Finanças, ministro das Informações e um membro "de longa data" do Gabinete de Segurança. Com a alcunha de "bulldozer", Katz "alia a responsabilidade e a calma na resolução de problemas que são essenciais para liderar esta campanha", prosseguiu Netanyahu.

Antigo general que se tornou político, Yoav Gallant era considerado um "falcão" dentro do Governo, na condução da ofensiva israelita na Faixa de Gaza, desde o sangrento ataque do movimento islamita palestiniano Hamas ao sul de Israel, a 07 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra naquele enclave palestiniano.

 

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
10 dias atrás

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jcf
12 dias atrás

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joão do rosário
14 dias atrás

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