sábado, 17 outubro 2026

Moçambique/Eleições: MDM protesta na Beira contra resultados eleitorais

Os manifestantes seguiram até ao centro da cidade da Beira, numa marcha pacífica cujo percurso foi concertado sem incidentes com a Polícia da República de Moçambique (PRM) e que decorreu normalmente, liderada pelo candidato do MDM a governador da província de Sofala, José Domingos, nas eleições gerais de 09 de outubro passado.

“Queremos Justiça eleitoral aqui em Moçambique para acabar com estas brincadeiras de uma vez por todas”, afirmou José Domingos, em declarações aos jornalistas.

“Não é segredo de que Venâncio Mondlane venceu as eleições. Entreguem a César o que é de César, a Deus o que é de Deus. Ponto final”, acrescentou.

A marcha desta manhã foi igualmente liderada por Albano Carige, autarca da Beira, a única liderada em todo o país pelo MDM.

“Queremos dizer que os 300 quilos de Venâncio Mondlane são verdadeiros, o MDM também tem essas atas e que não nos provoquem”, disse Carige, aludindo ao recurso que o partido Podemos, que apoia a candidatura presidencial de Venâncio Mondlane, entregou no passado domingo no Conselho Constitucional, com alegadas atas e editais originais da votação de 09 de outubro, contra os resultados anunciados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) anunciou para hoje, em Quelimane, província da Zambézia, no norte, uma marcha de “agradecimento” pelo voto da população, apesar do apuramento nacional da CNE apontar que a atual maior força da oposição perdeu esse estatuto, ao passar de 60 para 20 deputados à Assembleia da República, atrás do até agora extraparlamentar Podemos, com 31 deputados.

A CNE anunciou em 24 de outubro a vitória de Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder desde 1975, na eleição a Presidente da República de 09 de outubro, com 70,67% dos votos.

Venâncio Mondlane, apoiado pelo Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos, extraparlamentar), ficou em segundo lugar, com 20,32%, mas afirma não reconhecer estes resultados, que ainda têm de ser validados e proclamados pelo Conselho Constitucional.

A cidade de Maputo registou na sexta-feira, pelo segundo dia consecutivo, confrontos entre apoiantes do candidato presidencial Venâncio Mondlane, com a polícia a intervir, lançando gás lacrimogéneo para dispersar.

No centro da cidade de Maputo a grande parte do comércio mantém-se este sábado fechado, embora hoje com maior número de pessoas e transportes públicos a circular na capital moçambicana, face aos anteriores.

A polícia moçambicana enviou na madrugada de quinta-feira, primeiro dia dos sete de paralisação convocados por Mondlane, mensagens escritas para os telemóveis (SMS) pedindo à população que se abstenha de “práticas criminosas”.

Hoje, pelo terceiro dia consecutivo, o acesso a várias plataformas de redes sociais, através de Internet de operadores moveis, apresenta limitações, pelo menos em Maputo.

Mondlane apelou a uma greve geral e manifestações durante uma semana em Moçambique, a partir de 31 de outubro, e marchas em Maputo em 07 de novembro.

O candidato presidencial designou esta como a terceira etapa da contestação aos resultados das eleições gerais de 09 de outubro anunciados há uma semana pela CNE, que se segue aos protestos realizados nos passados dias 21, 24 e 25.

Os protestos degeneraram em confrontos com a polícia, de que resultaram pelo menos 10 mortos, dezenas de feridos e 500 detidos, segundo o Centro de Integridade Pública, uma organização não-governamental moçambicana que monitoriza os processos eleitorais.

A Semana com Lusa 

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
9 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
11 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
13 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport