sexta-feira, 16 outubro 2026

ENTREVISTA: 25 Abril: Queda da ditadura “provou” que a luta de libertação em África era justa – Ex-diplomata

"O 25 de Abril significa que a luta projetada pelos povos de Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste era uma luta justa e foi a luta dos nossos povos que permitiu que em Portugal, sobretudo os militares, tivessem consciência da importância de pôr fim à ditadura de Salazar", declarou Mussagy Jeichande, em entrevista à Lusa em Maputo.

O antigo diplomata moçambicano considerou ainda que para os movimentos de libertação nas antigas colónias portuguesas a independência era inevitável, mas a ideia real do impacto da guerra em África para a revolução em Portugal era ainda desconhecida.

"Estávamos convencidos apenas que seria a libertação dos nossos países e nunca imaginaram que, com a sua luta, conseguiriam também a libertação dos portugueses", declarou.

Mussagy Jeichande destacou a importância de Zeca Afonso na luta que culminaria com fim da ditadura em Portugal, considerando que o músico, que viveu por um período em Moçambique, merece espaço no "mosaico histórico" dos países africanos que conheceram “a barbárie" do regime colonial português.

"Não é por acaso que a música 'Grândola, Vila Morena' foi a música do chamamento dos soldados portugueses para a libertação de Portugal da ditadura. Zeca Afonso jogou um papel importantíssimo na mobilização. Portanto, Moçambique e Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde efetivamente deveriam fazer uma homenagem ao Zeca Afonso, que é um grande homem de cultura", declarou Mussagy Jeichande.

Quando se assinala meio século após o 25 de Abril e as independências, Mussagy Jeichande, que se juntou à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) durante a guerra, lembrou que o inimigo para os movimentos de libertação foi sempre o regime colonial e não o povo português.

"O inimigo era o regime colonial português. Entre o povo português e o povo moçambicano não há qualquer barreira. Nós não olhamos para a nossa luta de libertação como um muro entre nós. Nós temos muito a dar e também a aprender com Portugal", concluiu.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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joão do rosário
12 dias atrás

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