quinta-feira, 15 outubro 2026

Guterres alerta para impacto da guerra do Irão numa África endividada

"Países que já pagam demasiado pelos seus empréstimos estão a ser obrigados a pagar ainda mais para importar energia ou fertilizantes, transportar mercadorias, alimentar a população e proteger os mais vulneráveis", disse António Guterres na sede da ONU na capital do Quénia, onde lançou a primeira pedra do projeto de expansão desta sede, com um investimento de 340 milhões de dólares (288 milhões de euros), que transformará o escritório no terceiro maior centro global da organização, a seguir a Nova Iorque e Genebra.

O impacto para África é especialmente grave porque "aproximadamente 13% das importações" do continente --- principalmente de petróleo e fertilizantes --- transitam pelo estreito de Ormuz, enquanto "quatro em cada cinco países são importadores líquidos de petróleo", afirmou.

Neste contexto, o Guterres reiterou que "a desescalada é urgente, os direitos e liberdades de navegação devem ser restabelecidos" e Ormuz "deve ser reaberto na totalidade e de forma segura", enquanto "todas as partes devem abster-se de qualquer ação que possa agravar o conflito".

O secretário-geral referiu ainda os diferentes conflitos que assolam o continente africano, como os do Sudão, do Sudão do Sul ou da República Democrática do Congo (RDCongo).

Guterres também se deslocou a Nairóbi para participar na Cimeira África-França, que se realiza pela primeira vez num país que não é francófono.

"Com demasiada frequência, espera-se que os países africanos aceitem decisões tomadas em instituições nas quais não têm voz nem voto. (...) Precisamos de uma reforma profunda da arquitetura financeira internacional. Isto inclui o Conselho de Segurança, onde persiste uma injustiça histórica ao negar à África assentos permanentes", salientou o secretário-geral, que antecipou a mensagem que vai transmitir na cimeira.

O chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, disse hoje, nessa mesma cimeira, que África "precisa de investimentos" em vez de ajuda pública, acrescentando que a Europa já não tem capacidade de fornecer essa ajuda em abundância.

Ao seu lado, o Presidente do Quénia, William Ruto, defendeu investimentos na educação e nas infraestruturas, nomeadamente para apanhar o comboio da revolução tecnológica da Inteligência Artificial (IA).

Os dois líderes sublinharam também que não haveria IA sem energia, na sequência de um acordo franco-queniano celebrado na véspera em matéria de energia nuclear civil.

Segundo o Governo queniano, a Cimeira África-França atrairá cerca de quatro mil delegados, incluindo cerca de 30 chefes de Estado, líderes empresariais e figuras internacionais.

Os líderes vão abordar assuntos como a paz e a segurança, a reforma da arquitetura financeira internacional, a transição energética ou a tecnologia digital e a inteligência artificial.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
9 dias atrás

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joão do rosário
11 dias atrás

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