sexta-feira, 16 outubro 2026

Angola prepara chegada do Papa, visita sob o lema da reconciliação

Filomeno Vieira Dias, arcebispo de Luanda, em declarações à agência Lusa, fez nesta segunda-feira um ponto de situação sobre os preparativos da deslocação de Leão XIV de 18 a 21 deste mês começando por realçar o respectivo lema assente na reconciliação dos angolanos.

O lema da visita do Papa é "Peregrino da esperança, da reconciliação e da paz". Nós precisamos de crescer reconciliados. A reconciliação não é um acto administrativo, é um processo psicológico humano. É um processo social. É um processo legislativo. A reconciliação não é um acto feito uma vez por todas, mas é algo que é construído continuamente.

Há muitos e muitos angolanos que sentem que este é um tema que ainda deve estar sobre a mesa, porque sentem a marginalização, sentem a secundarização, sentem a exclusão na flor da própria pele. E é necessário dar estes passos, perceber que o elemento fundamental na construção da nação, na valorização das pessoas, no cuidado pelas pessoas e pelas comunidades é a cidadania, a angolanidade.

O Papa Leão XIV deve deslocar-se a Luanda, celebrando missa no Kilamba, depois ao Santuário da Muxima, em Icolo e Bengo, com deslocação ainda a Saurimo, na Lunda Sul.

O arcebispo de Luanda alega que esta visita entusiasma, mas responsabiliza os angolanos.

O clérigo relembrou o facto de o país ser dos primeiros a ser cristianizado a sul do Deserto do Saara e de há séculos (em 1608) um enviado do reino do Congo se ter deslocado ao Vaticano António Manuel NVunda "Negrita".

Este [também conhecido como Nsaku Ne Nvunda], depois de uma viagem de 4 anos, avistou-se com o Papa Paulo V. N'Vunda tendo falecido em Roma e estando sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, como o Papa Francisco foi o primeiro embaixador africano de um Estado a sul do Equador.

 

Esta visita é uma visita que encontra as suas raízes num passado longínquo. Basta pensarmos nos esforços, já no século XVII do Rei do Congo de ter contactos próximos com a Santa Sé, com o Vaticano. Ele enviou um embaixador, António Manuel, Nvunda, também conhecido como Negrita, que foi recebido em Roma em 1608 pelo Papa Leão V.

Morreu em Roma. Está sepultado na mesma basílica em que está sepultado o Papa Francisco. Naquela basílica foi colocado o seu busto e quem visita hoje a Basílica de Santa Maria Maior dirá "Este é um santo negro"! Não é o primeiro embaixador africano junto do Vaticano, junto da Santa Sé. Para dizer que este encontro entre o povo angolano e o Vaticano é algo que vem de longe.

A Semana com RFI/LUSA

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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joão do rosário
12 dias atrás

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