sexta-feira, 16 outubro 2026

Transplante renal abre nova esperança para doentes em Cabo Verde

A equipa cabo-verdiana foi liderada pelo nefrologista Hélder Tavares, responsável pela coordenação da selecção e preparação dos pacientes. Em declarações à RFI, Hélder Tavares explicou que o caminho até ao transplante envolveu “uma luta de vários anos… começou primeiramente com a aprovação da lei, depois reunir as condições locais, técnicas e logísticas, equipamento e recursos humanos mínimos, e só então começar a procurar pacientes e dadores adequados para o procedimento”.

O procedimento foi realizado com um dador vivo, como prevê a primeira fase do programa. “Apresentaram-se 13 pacientes com os respectivos dadores. Todos foram submetidos a avaliação clínica e analítica, e os restantes 12 foram excluídos por diversos motivos, como diabetes, infecção pelo vírus da hepatite B ou incompatibilidade com o receptor. Nesta primeira fase, só ficou elegível este par que foi então submetido ao transplante”, detalhou o nefrologista.

O especialista sublinhou a importância médica da cirurgia para Cabo Verde: “Este é um passo histórico porque é a primeira vez que isso é feito em Cabo Verde. Conseguimos vencer algumas barreiras e mostrar que somos capazes de fazer isto, mesmo com ajuda externa. Mas a grande parte da investigação e preparação foi feita aqui.”

Hélder Tavares descreveu a realização do transplante como uma experiência emotiva e gratificante: “Naturalmente, a emoção é muito grande. É uma realização pessoal e um sonho antigo. Mas esta alegria não é só minha, é de toda a equipa. Quem chefiou o processo do lado de Portugal foi o Dr. António Norton de Matos, cirurgião reformado português que nos apoiou desde o início.”

Para o paciente, os benefícios são significativos. “Significa uma melhor qualidade de vida e uma melhor taxa de sobrevida. Para o sistema de saúde, representa um tratamento mais barato e mais eficaz. Um transplante é muito mais económico do que a hemodiálise”, afirmou.

Quanto à autonomia do país neste tipo de cirurgia, o nefrologista esclareceu que será gradual: “Não seremos totalmente autónomos de um dia para o outro. Por enquanto, estamos a trabalhar em cooperação com Portugal até adquirirmos a competência necessária para sermos totalmente independentes. Alguns procedimentos exigem ainda tempo de treino, nomeadamente a técnica de remoção por laparoscopia.”

A insuficiência renal crónica, principal causa de necessidade de transplante, está frequentemente associada a doenças como diabetes e hipertensão.

A Semana com RFI

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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joão do rosário
12 dias atrás

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