sexta-feira, 16 outubro 2026

Fogo: Crise de pastos nas zonas sul e centro coloca em risco a sobrevivência dos animais - criadores

Os pastores da zona sul e centro, onde se concentra o maior número de efectivo de gado caprino e ovino, procuraram a comunicação social esta quinta-feira para denunciar aquilo que consideram ser “o pior ano de sempre”, marcado pela ausência quase total de pastagens, escassez de milho e ração e preços considerados incomportáveis.

José Andrade, criador na localidade de Jardim conhecido por Djoy, afirma que nunca presenciou um cenário tão dramático como este ano.

“Os animais não dão um pingo de leite”, lamentou, explicando que muitos criadores estão a desfazer-se dos seus efectivos, embora não haja compradores interessados.

Da zona de Brandão, no município de São Filipe, até Fonte Aleixo Sul, no município de Santa Catarina do Fogo, onde se concentra o maior número de animais, a falta de pastos é generalizada, disse o criador, para quem a aquisição de pastos noutras localidades torna-se inviável devido aos custos de compra e transporte.

“Quando há crise aqui, nas outras zonas as pessoas procuram lucrar com os seus pastos e não temos condições para comprar”, lamentou o criador, explicando que um saco de milho ou ração ultrapassa os 2.700 escudos, um valor que não é compensado pela venda do queijo ou do leite.

No mesmo sentido, Oteldina Andrade, criadora há quase duas décadas, partilha da mesma preocupação e afirmou que vive exclusivamente da pecuária e que este é o pior ano desde que iniciou a actividade.

No mesmo sentido, Oteldina Andrade, criadora há quase duas décadas, confessou estar a recorrer a poupanças pessoais para alimentar o gado, alertando para o aumento de abortos entre as cabras em fase de reprodução devido à subnutrição.

Perante este cenário, os criadores apelam às autoridades para a implementação urgente de um plano de emergência que inclua a disponibilização de ração a preços bonificados, sob pena de, na próxima época das chuvas, "haver pastos, mas já não haver animais".

Em contraste com as dificuldades dos pequenos criadores, o projecto agropecuário “Batente”, considerado um modelo de inovação na ilha, conseguiu mitigar os efeitos da crise através da transferência de cerca de 400 cabeças de caprinos e ovinos para a ilha Brava.

A decisão, segundo um dos responsáveis do projecto, visou salvaguardar o efectivo face à escassez de pastos na ilha do Fogo.

A empresa investiu na recolha de pastos noutras zonas e arrendou terrenos na parte norte da ilha, em Ribeira Filipe e Campanas de Cima e de Baixo, para recolha de pastos, mas mesmo assim decidiu transferir os seus efectivos para Brava onde pretende criar um polo da empresa já que encontrou condições para reprodução e exploração.

A empresa está a reforçar infraestruturas, com a construção de três reservatórios de grande dimensão e preparação de parcelas para produção de pastos na ilha vizinha, aguardando ligação de água pela empresa intermunicipal de Águas, Águabrava, que mostrou abertura para disponibilizar água, e a meta é ter o projecto a funcionar em pleno até 2027.

 

A Semana com Inforpress

 

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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joão do rosário
12 dias atrás

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