O Ministério Público guineense pediu seis anos de prisão para Bubo Na Tchuto, o principal arguido da alegada tentativa de golpe de Estado, em 2022, na Guiné-Bissau, conhecida como "caso 01 de fevereiro".
A pena pedida foi tornada pública pela defesa do arguido, através do advogado Marcelino Intupé que, em declarações à comunicação social guineense, reclamou a inocência do contra-almirante.
As posições da defesa e da acusação foram expressas em tribunal, na segunda-feira, nas alegações finais do julgamento que começou em outubro de 2025 e que tem no banco dos réus aquele que é considerado o principal suspeito da alegada tentativa de golpe de Estado em fevereiro de 2022, em que morreram 11 pessoas.
O contra-almirante Bubo Na Tchuto é o último a ser julgado no processo que começou com mais de 50 suspeitos detidos, e foi também o último a ser libertado, nas véspera do início do seu julgamento e mais de três anos depois da alegada tentativa de golpe.
O julgamento prolongou-se por cerca de quatro meses, aguardando-se agora a decisão do Tribunal Militar superior sobre o caso, sem data marcada para a divulgação.
A defesa pediu a absolvição e afirmou acreditar que o Tribunal não irá valorizar as alegações do Ministério Público, que considera baseadas apenas em testemunhas e "sem bases sólidas".
O julgamento do caso começou com mais de 50 detidos, entre militares e civis, mas acabou por se dividir em dois, com aqueles que têm patentes militares mais altas, como é o caso de Bubo Na Tchuto, a serem julgados em separado por um tribunal superior.
O processo que prosseguiu no Tribunal Militar Regional foi concluído em fevereiro de 2025 com a condenação de 14 militares a penas de prisão efetiva entre 12 e 29 anos.
Paralelamente, o tribunal mandou libertar vários arguidos, nomeadamente aqueles que não tinham acusação formada, e todos foram sendo libertados.
O caso remonta a 01 de fevereiro de 2022, quando um grupo de homens armados entrou no Palácio do Governo, em Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló.
O contra-almirante Bubo Na Tchuto foi acusado pelo regime de liderar o grupo armado que teria como alvo o chefe de Estado guineense, enquanto alguns setores de Bissau classificaram o episódio como "uma intentona" usada como pretexto para criar uma força armada presidencial e fortalecer o poder de Sissoco Embaló.
A Semana com DW África

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