sexta-feira, 16 outubro 2026

Seca compromete primeira época agrícola em Angola

A seca afetou a primeira época agrícola em pelo menos seis províncias angolanas assistidas pela ADRA, organização de apoio rural, que apela a medidas governamentais para diminuir a dependência exclusiva de chuvas, avançou hoje à Lusa o diretor-geral.

Simione Chiculo disse que a ADRA - Ação para o Desenvolvimento Rural e Ambiente tem intervenção nas províncias da Huíla, Cunene, Huambo, Malanje, Benguela, Namibe, Luanda e Icolo e Bengo, com uma ação virada para o reforço da capacidade produtiva e organizativas dos camponeses, que praticam na sua maioria agricultura de sequeiro, com exceção das duas últimas.

"E a estiagem, um período prolongado numa época chuvosa sem chuva, afetou praticamente todas essas províncias, exceto Luanda e Icolo e Bengo. As demais foram afetadas pela estiagem que comprometeu a atividade agrícola destas comunidades", disse Simione Chiculo.

Segundo o responsável, a primeira época agrícola "ficou totalmente comprometida", sublinhando que a agricultura de sequeiro "depende muito das chuvas". 

No centro e sul de Angola, a primeira época vai de outubro até início de janeiro e a segunda decorre entre finais de janeiro até perto de maio.

"A primeira época, infelizmente, em quase todas as localidades ficou totalmente comprometida sobretudo nas culturas de cereais. No caso do centro sul, estamos a falar do milho, massango e a massambala e também as leguminosas, especificamente o feijão, que ficou bastante comprometido nessas zonas todas", descreveu.

Para mitigar os efeitos da estiagem, o diretor-geral da ADRA considera necessário o apoio local das autoridades, com a criação de condições para os camponeses não dependerem exclusivamente da agricultura de sequeiro ou somente da rega das chuvas.

Com o regadio, "é possível controlar-se os danos causados por esse efeito", considerou, acrescentando que "de outra forma são respostas de emergência", envolvendo normalmente a distribuição de comida, já que a seca afeta automaticamente o acesso aos alimentos".

"A resposta imediata seria talvez a distribuição de comida, mas são ações bastante paliativas, emergentes, que no nosso entender não geram sustentabilidade quando se espera dar resposta às consequências causadas pela seca", disse.

Simione Chiulo entende que "ainda não é visível uma ação estruturante" das autoridades para o problema da seca, "tirando o que acontece no Cunene com a construção do Canal do Cafu e outros sistemas que vão sendo construídos" que, segundo o responsável, "não atendem nem sequer a metade das necessidades do Cunene muito menos atendem as necessidades do sul de Angola".

Na semana passada, o secretário de Estado para as Florestas angolano, João da Cunha, disse que o Governo está a fazer o levantamento de localidades do país que registam irregularidades de chuvas, tendo já algumas províncias respondido.

"Obviamente vai começar nos próximos dias a segunda época e estamos a preparar-nos para reforçar a produção nesta segunda época, valorizando aquilo que temos estado a fazer nos pequenos perímetros irrigados, estamos a reabilitar algumas valas de regas, represas, algumas barragens, que vai permitir com que possamos produzir durante todo o ano sem termos que esperar permanentemente pelas chuvas", disse João da Cunha.

Por sua vez, o presidente da UNACA - Confederação das Associações de Camponeses e Cooperativas Agropecuárias de Angola, José Luís, avançou que a seca é uma preocupação para uma atividade sazonal, considerando importante o diagnóstico que o Governo está a fazer.

"Ainda continuamos a produzir para a sobrevivência, não estamos ainda a produzir com caráter económico, empresarial", disse, vincando que um pequeno período sem chuvas, "para se colocar as sementes na terra" significa estar já em presença de seca.

"Já tivemos no Cubango, mas já está a chover, também já tivemos em algumas áreas da Lunda Sul, mas também já há chuvas, são mesmo questões sazonais", disse José Luís. 

A Semana com DW

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Comentários

joão do rosário
9 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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joão do rosário
13 dias atrás

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