2025 terminou de forma sangrenta em Maraca, no posto administrativo de Iuluti, província de Nampula. No dia 29 de dezembro, tumultos na zona das minas resultaram em mortes e feridos, mas há diferentes versões sobre o que aconteceu.
A versão oficial é de que tudo começou quando um grupo tentou invadir uma posição da polícia, com catanas, azagaias e bombas caseiras. De acordo com a porta-voz da corporação em Nampula, Rosa Chaúque, o objetivo seria roubar armas e semear a desordem. Daí a intervenção da polícia:
Rosa Chaúque afirma que "foi registado um óbito, por parte da Polícia da República de Moçambique, e seis de indivíduos que se denominam Naparamas e como membros do partido ANAMOLA". "Eles portavam cartões, é por isso que afastamos a questão de serem garimpeiros", acrescentou.
O coordenador provincial do ANAMOLA, Castro Niquina, garante que os membros do partido não estiveram envolvidos nesses atos e classifica os pronunciamentos da polícia como perseguição política.
"Esta é uma polícia politizada, que cumpre ordens muitas vezes inaceitáveis."
O secretário de Estado de Nampula, Plácido Pereira, insiste na versão oficial, garantindo que "não são garimpeiros, são Naparamas. Porque estavam encapuzados, com fitas vermelhas [na cabeça], e entre eles havia simpatizantes de alguns partidos", conta.
Morador fala em "banho de sangue"
Mas há outra versão do que aconteceu. Um morador, que pediu anonimato, contou à DW que houve um "banho de sangue" no final do ano, em Marraca.
"Morreram muitas pessoas. Mulheres, homens e crianças. Não escolhiam contra quem atiravam", conta.
A Kóxukhuro, uma organização não-governamental que trabalha na promoção e defesa dos direitos humanos, esteve no terreno a investigar o caso e Gamito dos Santos, diretor-executivo, desmente a versão oficial.
"O que aconteceu no povoado de Marraca foi um massacre. A PRM matou cerca de 38 pessoas, incluindo oito mulheres e oito crianças. Treze estão feridas e a fazer tratamento ambulatório [sem assistência das autoridades]", diz.
Gamito dos Santos diz que, ao contrário do que afirmou a polícia, o alvo foram, sim, garimpeiros ilegais, que se teriam oposto a ações das forças de segurança.
Queixa à PGR
O responsável da Kóxukhuro promete levar o caso à Procuradoria-Geral da República.
"Vamos pedir à Procuradoria para que se abra uma investigação célere, transparente, coerente e séria para responsabilizar as pessoas que deram ordem para se disparar naquele lugar e as pessoas que lideraram esta operação, assim como o comando provincial", garante Gamito dos Santos.
Este não é o primeiro caso do género na região de Marracas, envolvendo garimpeiros ilegais e as forças policiais.
A Semana com DW África

10 dias atrás
SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...