Cerca de 60 mil militares norte-americanos estão estacionados no Japão, e Donald Trump vai visitar esta terça-feira alguns deles a bordo do porta-aviões USS George Washington, ao largo de Yokosuka, sul de Tóquio. Para colocar o bilionário de 79 anos na melhor disposição, o Governo japonês planeia, de acordo com a imprensa local, oferecer-lhe tacos de golfe que pertenceram a Shinzo Abe e bolas de golfe banhadas a ouro. Tóquio também poderá revelar a compra de uma centena de carrinhas de caixa aberta Ford F-150, num gesto de boa vontade comercial.
Nos termos do acordo, assinado na capital do Japão pela primeira-ministra do país, Sanae Takaichi, e pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, Tóquio e Washington vão colaborar na identificação de projetos de interesse comum para colmatar as lacunas nas cadeias de abastecimento destes materiais, essenciais para o desenvolvimento da tecnologia moderna.
As duas potências estabeleceram um prazo de seis meses para “tomar medidas para fornecer apoio financeiro a projetos selecionados com o objetivo de gerar um produto final para entrega a compradores nos Estados Unidos e no Japão e, se for caso disso, em países com interesses semelhantes”, segundo a Casa Branca.
As administrações japonesa e norte-americana comprometeram-se a servir de ponte na promoção do diálogo a nível empresarial para fazer avançar projetos que estabeleçam cadeias de abastecimento “novas e seguras” e concordaram em mobilizar recursos público-privados para as iniciativas.
Estes recursos incluem “subvenções, garantias, empréstimos ou capital, acordos de compra e venda, seguros ou facilitação regulatória”, e os projetos não se limitam ao processamento de matérias-primas, mas incluem produtos derivados, como ímanes permanentes, baterias, catalisadores e materiais óticos.
Trump e Takaichi assinaram o acordo após uma cimeira no Palácio Akasaka de Tóquio, a segunda paragem da digressão asiática do Presidente norte-americano, que também assinou um pacto no setor de terras com a Malásia, país onde esteve anteriormente.
Os acordos têm como pano de fundo as restrições impostas pela China às exportações de terras raras — mineral-chave para a tecnologia, cujo processamento e venda Pequim praticamente monopoliza — no âmbito do diferendo comercial com os Estados Unidos.
Além deste acordo, os chefes de Governo do Japão e dos EUA assinaram outro documento em que se comprometem a aplicar o acordo comercial alcançado em julho, que fixou em 15% as tarifas recíprocas de Washington e no âmbito do qual ainda não se conhece o destino dos 550 mil milhões de dólares (471 mil milhões de dólares) que Tóquio se comprometeu a investir nos EUA.
No mesmo encontro, o Presidente norte-americano garantiu à primeira-ministra japonesa que Washington é um aliado de Tóquio “ao mais alto nível”, num momento em que os Estados Unidos exigem que o arquipélago aumente gastos com defesa. “Sempre tive grande amor e respeito pelo Japão. Quero garantir que esta será uma relação especial (…) Somos um aliado ao mais alto nível”, disse Trump.
Sanae Takaichi, no cargo de primeira-ministra há uma semana, indicou que quer inaugurar uma “nova era de ouro” nas relações Japão-EUA, numa altura em que Tóquio enfrenta o crescente poder militar do vizinho chinês.
Tóquio é a segunda etapa da viagem do Presidente norte-americano pela Ásia, depois da Malásia e antes da Coreia do Sul, onde terá lugar, na quinta-feira, o encontro com o homólogo chinês, Xi Jinping, que deverá selar um compromisso comercial entre as duas potências.
Donald Trump observou que Takaichi era “uma grande aliada e amiga” do antigo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, assassinado em 2022, de quem ele próprio se tornou particularmente próximo durante o primeiro mandato na Casa Branca.
A defesa foi um ponto central deste encontro, já que Trump exige que os aliados dos Estados Unidos aumentem as despesas militares para continuarem a beneficiar da proteção norte-americana.
Sanae Takaichi anunciou que o Japão vai aumentar o orçamento de defesa para 2% do produto interno bruto (PIB) a partir do atual ano fiscal, que termina a 31 de março, dois anos antes do calendário previamente estabelecido.
Cerca de 60 mil militares norte-americanos estão estacionados no Japão, e Donald Trump vai visitar esta terça-feira alguns deles a bordo do porta-aviões USS George Washington, ao largo de Yokosuka, sul de Tóquio. Para colocar o bilionário de 79 anos na melhor disposição, o Governo japonês planeia, de acordo com a imprensa local, oferecer-lhe tacos de golfe que pertenceram a Shinzo Abe e bolas de golfe banhadas a ouro. Tóquio também poderá revelar a compra de uma centena de carrinhas de caixa aberta Ford F-150, num gesto de boa vontade comercial.
A Semana com Observador/Lusa

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