sábado, 17 outubro 2026

Aos 92 anos, e no poder há 43, Paul Biya é reeleito para um oitavo mandato como presidente dos Camarões

O ex-ministro e candidato da oposição, Issa Tchiroma, ficou em segundo lugar com 35,19% dos votos, de acordo com a instituição.

Issa Tchiroma, no entanto, reivindica a vitória sobre o Presidente em exercício após as eleições de 12 de outubro.

“A nossa vitória é clara" e "deve ser respeitada”, escreveu Issa Tchiroma, exigindo que Biya aceite “a verdade das urnas”, sob pena de “mergulhar o país no caos” porque "o povo escolheu e essa escolha deve ser respeitada”.

No domingo, quatro pessoas morreram na capital económica, Douala, durante manifestações de apoio ao opositor, segundo o governador da região do litoral.

As forças de segurança começaram por lançar gás lacrimogéneo antes de disparar "balas reais", declararam manifestantes à agência de notícias France-Presse (AFP).

Desde a semana passada, os apoiantes de Issa Tchiroma, que segundo a sua própria contagem obteve 54,8% dos votos contra 31,3% de Biya, têm saído esporadicamente às ruas para reivindicar a vitória nas eleições presidenciais.

Em 2018, nas últimas eleições presidenciais nos Camarões, Maurice Kamto, principal líder da oposição camaronesa, que ficou em segundo lugar na votação e cuja candidatura foi rejeitada este ano, proclamou-se vencedor no dia seguinte, embora a legislação não permita publicitação de resultados antes de o Conselho Constitucional se pronunciar.

Há sete anos, Kamto foi detido e as manifestações dos seus apoiantes foram dispersadas com gás lacrimogéneo e canhões de água. Dezenas de manifestantes continuam presos ainda hoje.

A maioria dos especialistas esperava que Paul Biya ganhasse um novo mandato de sete anos, num sistema que os seus detratores acusam de ter bloqueado ao longo dos seus 43 anos no poder.

Paul Biya, de 92 anos, é o chefe de Estado mais velho do mundo e o segundo há mais tempo no poder em África, a seguir ao homólogo da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang.

Durante as décadas de governação de Paul Biya, a nação centro-africana de quase 30 milhões de habitantes enfrentou desafios que vão desde um movimento secessionista até à corrupção que condicionou o desenvolvimento do país, apesar dos ricos recursos naturais, como o petróleo e minerais.

Desde 2016, o país da África central enfrenta um conflito contra os separatistas nas regiões de língua inglesa no noroeste e sudoeste, que são reprimidas pelo Governo. Os Camarões também são ameaçados por grupos extremistas, como o Boko Haram e o Grupo de Apoio ao Islão e Muçulmanos.

 

A Semaan com Diário de Notícias/Lusa

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
9 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
11 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
13 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport