Através de centros de serviços profissionais que operam segundo os padrões dos Estados Unidos, a empresa está a abrir portas para que talentos locais prestem serviços a empresas norte-americanas directamente de Cabo Verde.
O projecto-piloto teve início há mais de um ano na ilha do Fogo, onde o centro conta actualmente com nove colaboradores, prevendo a expansão para 12 profissionais em breve, com um processo de recrutamento já em curso.
Segundo a fundadora, a qualidade e o talento dos jovens cabo-verdianos “ultrapassaram as suas expectativas”, com muitos já formados, prontos para serem treinados e inseridos no mercado de trabalho com salários actrativos e estabilidade profissional.
"Estamos a criar empregos qualificados em Cabo Verde, com jovens a trabalharem a partir do país para o mercado norte-americano, sem terem que sair do arquipélago", afirmou Belma Medeiros.
A iniciativa está agora em fase de expansão para a ilha do Sal, onde a empresa procura 20 jovens para integrarem o próximo centro, previsto para abrir nos próximos três meses, nos Espargos, mas o projecto é criar um centro de serviços profissionais.
“A meta é chegar a 100 a 200 postos de trabalho nos próximos anos, com profissionais formados para atuar em áreas como atendimento ao cliente, marketing, inovação e tecnologia”, apontou a empresaria e originaria da ilha do Fogo.
O funcionamento dos centros é feito com tecnologia americana, com apoio de infra-estrutura como a fibra óptica da Telecom, mas o sistema Starlink poderá facilitar a conectividade e a qualidade dos serviços prestados, referiu.
“Nos Estados Unidos, tenho feito isso há mais de 20 anos. Não é novidade para mim. A diferença é que agora estou a trazer essa experiência para Cabo Verde”, reforçou a empresária.
Actualmente, o centro no Fogo lida com cerca de 40 mil chamadas por ano, demonstrando a dimensão e o potencial da operação.
Belma Medeiros destacou ainda a importância de formar talentos locais com foco na língua inglesa e nas exigências do mercado norte-americano, que valoriza “rapidez, disciplina e qualidade” no atendimento.
Apesar de valorizar a formação técnica e domínio do inglês, Belma Medeiros sublinhou que o carácter e a ética profissional são os principais critérios na hora de contratar os colaboradores.
“Um diploma mostra que alguém terminou algo, mas não necessariamente que será bem-sucedido. Eu procuro pessoas com carácter, integridade e capacidade de lidar com pressão e com clientes”, explicou.
Além de gerar emprego, a Beltrust International também se compromete com a responsabilidade social e a empresa destina parte do seu orçamento para apoiar a comunidade local, refletindo o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável do país.
“Quando a comunidade está forte, a economia também estará forte, e a empresa também. Porque uma empresa é feita de pessoas”, concluiu Belma Medeiros.
Este projecto marca o surgimento de uma nova indústria em Cabo Verde - a de serviços profissionais remotos voltados para o mercado internacional -, com potencial para transformar o cenário económico e profissional do arquipélago nos próximos anos.
A Semana com Inforpress

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