domingo, 18 outubro 2026

Lula assume dívida histórica com África e promete luta pela segurança alimentar

“Nós devemos ao continente africano o que nós somos. A nossa cor, a nossa arte, a nossa cultura, o nosso jeito de ser" disse o chefe de Estado brasileiro, em Brasília perante delegações de 42 países africanos, além de representantes de organismos internacionais, como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), de bancos multilaterais de desenvolvimento, instituições de pesquisa, organizações e cooperativas da agricultura familiar e entidades do setor privado.

Lula da Silva disse ainda que o Brasil deve "aos 350 anos em que este país explorou uma grande parte do povo africano"

 "E eu tenho consciência de que o Brasil não pode pagar isso em dinheiro”, frisou, recebendo uma salva de palmas da plateia ao dizer que pode "pagar em solidariedade e em transferência de tecnologia". 

 Dirigindo-se aos ministros da Agricultura africanos presentes, Lula garantiu que  “o Brasil pode ajudar, tem como ajudar"

"E saibam que, com a existência das mais modernas técnicas, não tem mais terra improdutiva em lugar nenhum do mundo. Sejam bem-vindos, tirem proveito da visita. Desse momento tem que sair algo diferente”, sublinhou. 

O "II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural" arranca hoje e vai decorrer até quinta-feira na capital brasileira e vai reunir ministros da Agricultura africanos, representantes de organizações internacionais, bancos de desenvolvimento, instituições de pesquisa, organizações e cooperativas da agricultura familiar, bem como entidades do setor privado.

Fonte da diplomacia brasileira indicou à Lusa que estão previstas delegações de todos os países africanos de língua portuguesa e ainda a presença do secretário Executivo da CPLP, Zacarias da Costa.

"Nós vamos falar de cooperação técnica, eles vão fazer visitas de campo, vão ter contacto com iniciativa privada, vão discutir financiamento. Então, eu acho que é uma perspetiva bem completa da produção rural, da segurança alimentar e do fortalecimento da produção local", detalhou à Lusa o Ministério das Relações Exteriores brasileiro.

A tónica está ainda centrada na promoção de experiências e tecnologias para fortalecer a produção alimentar local, valorizando a agricultura familiar, a sustentabilidade e as políticas públicas.

A programação inclui visitas técnicas na terça-feira, perto de Brasília, com foco em agricultura familiar, bioinsumos (materiais de origem biológica) e comercialização.

Na quarta-feira, as delegações vão ao Vale do São Francisco, uma região atravessada pelo rio São Francisco e seus afluentes, que atravessa vários estados brasileiro.

Aqui o foco será o reforço das tecnologias contra a seca. 

O encerramento, na quinta-feira, terá um diálogo de alto nível com painéis sobre sistemas agroalimentares sustentáveis, inovação, políticas públicas e financiamento.

No dia seguinte, sexta-feira, o Presidente angolano, João Lourenço, é esperado em Brasília no contexto das celebrações do Dia de África e da celebração dos 50 anos de independência de Angola e outros países lusófonos.

O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola, em novembro de 1975, com a Embaixada do Brasil em Luanda a ser criada por decreto, no mês seguinte.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
10 dias atrás

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jcf
12 dias atrás

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joão do rosário
14 dias atrás

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