domingo, 18 outubro 2026

Exposição em Lisboa mostra a Cidade Velha de Cabo Verde que existe debaixo do chão

“Grande parte dos monumentos da Cidade Velha antiga ainda se encontram debaixo do chão e estão a ser paulatinamente descobertos e trazidos à luz do dia”, disse o investigador cabo-verdiano à agência Lusa, a propósito da inauguração, hoje, da exposição "Cidade Velha - Berço da Nação Cabo-verdiana”, no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa.

Daniel Pereira, autor do livro “Marcos cronológicos da Cidade Velha”, é curador desta exposição documental, enquadrada nas celebrações do 50.º aniversário da independência de Cabo Verde, que revela documentos e fotografias dos monumentos desta cidade, Património Mundial da UNESCO desde 2009.

“A Cidade Velha foi a primeira cidade que foi implantada na África Subsaariana por europeus, por portugueses. É o início daquilo que foi, ao longo do tempo, a construção da nação cabo-verdiana”, referiu.

O investigador disse que a exposição que é hoje apresentada ao público, na presença do ministro da Cultura de Cabo Verde, é documental e conta com “livros que já foram escritos, projetos que já foram elaborados, sobretudo fotográficos”.

Mas a exposição mostra, não apenas o que há, mas “também o que não se vê e que é necessário que se veja”.

“Há muita coisa, a Cidade Velha está debaixo do chão”, afirmou, referindo que as descobertas não têm parado, apoiadas pela cooperação internacional.

E deu o exemplo da capela lateral da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, descoberta em 2019 durante os trabalhos de reabilitação deste edifício, e que é da primeira fase da igreja, datada de 1495.

Mas também as ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a mais antiga de Cabo Verde, construída entre 1466 e 1470, e mais recentemente as fundações da Casa da Misericórdia na Cidade Velha.

“O grande problema da Cidade Velha é que é um museu a céu aberto, por um lado, e por outro lado é um museu vivo, porque as pessoas vivem lá, no meio destes monumentos todos”, observou.

Daniel Pereira, também autor do livro “A importância histórica da Cidade Velha”, escrito em cinco línguas, refere-se a esta cidade como “o início de uma nova civilização, o início de uma nova cultura, promovida, de alguma forma, pela expansão portuguesa e espanhola”.

“É claro que os homens de 400 e 500 não sabiam exatamente que estavam a transformar o mundo. O nascimento da nação cabo-verdiana não era previsto de maneira nenhuma. Portanto, isso aconteceu independentemente da vontade dos homens”, disse.

A Cidade Velha, que nasceu como Cidade da Ribeira Grande,foi oficialmente descoberta em 1460 e, dois anos depois, começou a dar os seus primeiros passos.

“Todos os grandes navegadores de quatrocentos e quinhentos sulcaram as nossas águas marítimas, rumo ao arquipélago cabo-verdiano”, como Vasco da Gama, Cristóvão Colombo, Cidade da Ribeira Grande, Pedro Álvares Cabral e Fernão de Magalhães e Juan Sebastián Elcano.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
10 dias atrás

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jcf
12 dias atrás

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joão do rosário
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