segunda-feira, 19 outubro 2026

“Este é o pior momento para assinar qualquer que seja o acordo com a NATO”- líder do PAICV

 

O líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) falava em conferência de imprensa para pronunciar sobre as questões ligadas à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) após a participação do ministro dos Negócios Estrangeiros no programa Café Central da Rádio de Cabo Verde, a confirmar que se tratava de um problema de interpretação por parte do PAICV, da eventual aproximação e integração de Cabo Verde na NATO.

Rui Semedo disse ainda que a integração de Cabo Verde na NATO está “fora de questão”, porque a Constituição não o permite.

O presidente do maior partido da oposição afirmou ainda que, neste momento o mundo está a discutir um conjunto de questões geoestratégicas e que Cabo Verde deve fazer uma reflexão profunda, a nível nacional, incluindo a sociedade, os actores políticos, para que todos consensualizem uma posição sobre o que se quer e quais os caminhos a seguir.

Clarificou que a NATO é uma instituição militar voltada para a defesa dos seus países membros e que as questões ligadas ao tráfico, criminalidade, as questões ambientais e a segurança marítima não é uma questão da NATO, mas sim, uma questão dos países da soberania.

“Faz sentido termos a aproximação com os países do nosso espaço atlântico e ter cooperação bilateral entre nós e os outros países que poderão ter incidência na defesa e segurança nacional”, defendeu este político, afirmando que na Constituição de Cabo Verde “não há lugar” para que outros países sejam porta-vozes com relação a questões que têm a ver com a soberania deste país.

“Nós é que devemos ser os verdadeiros porta-vozes ou o verdadeiro porta-voz das questões que têm a ver com a nossa soberania. 

"Quando há a segurança cooperativa, que é a segurança que envolve outros países, a soberania é exercida pelo país que acolhe o exercício das operações que têm a ver com a segurança dos nossos mares ou território marítimo”, reforçou.

Neste quesito, o presidente do PAICV considerou que Cabo Verde pode ter acordos bilaterais para tratar determinadas questões que têm a ver com a segurança dessa região, mas sempre acautelando os interesses e valores, como a paz, estabilidade e boa vizinhança, mas também o valor da soberania do país.

Nesse aspecto, ressaltou que Cabo Verde não deve ir para além do que está estabelecido na Constituição e dos que conformam a identidade e interesses específicos deste país.

Para o PAICV, Cabo Verde, para qualquer posicionamento, deve ter em conta o contexto que se vive hoje no mundo. Um contexto de instabilidade, de guerra e um contexto em que o mundo deixou de ser aquele mundo unipolar.

A Semana com Inforpress

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
11 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
13 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
15 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport