segunda-feira, 19 outubro 2026

Debate presidencial: Lula desafia Flávio a quebrar sigilo bancário "para saber quem é ladrão"

"Não tenho nada a esconder", respondeu o candidato do PL sem clarificar se aceitava. Flávio prometeu declarar “guerra ao narcoterrorismo” e Lula chamou-lhe "miliciano". Após ser acusado de subordinação aos EUA, senador disse que foi à Casa Branca defender empresas brasileiras.

 

O primeiro debate presidencial entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, emitido na TV Bandeirantes (Band), ficou marcado por acusações mútuas de corrupção, provocações, ataques pessoais e gritos da plateia que obrigaram os moderadores a fazer várias intervenções.

Num debate tenso de duas horas, dividido em três blocos, os candidatos tiveram oportunidade de expor o que pensavam em matéria de saúde, economia, justiça e política internacional, mas a inimizade entre os dois retirou espaço à discussão de propostas,analisa a Euronews,

Um dos principais momentos da noite foi protagonizado pelo atual presidente, que lançou um desafio ao rival destinado a reforçar a transparência sobre os rendimentos pessoais.

"Amanhã, abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefónico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país. Para que o povo saiba quem é ladrão. Porque, senão, o povo será enganado outra vez", atirou Lula, propondo a entrega dos dados financeiros à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal (STF) antes da segunda volta para permitir que os eleitores avaliem o património de cada candidato.

"Não tenho nada a esconder", respondeu Flávio Bolsonaro, sem esclarecer se aceitava o repto. O senador do Partido Liberal (PL) acusou, de seguida, o líder do governo federal de movimentar dinheiro "por fora" e mencionou as alegadas doações irregulares recebida pelo Instituto Lula.

O candidato da direita lembrou que Lula foi condenado por lavagem de dinheiro e o petista contra-atacou com o caso do Banco Master, questionando o adversário, pelo menos sete vezes, sobre uma suposta negociação no valor de 134 milhões de reais (cerca de 23,6 milhões de euros) com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário da instituição.

Flávio reafirmou a legalidade dos montantes pedidos para financiar um filme sobre o pai, Jair, embora não tenha fornecido explicações detalhadas. Preferiu carregar de novo sobre o oponente, até que Lula, pouco depois, lhe chamou "miliciano".

Presidiários votam Lula, disse Flávio. "Eu quero que votem 100%, até o teu pai", ironizou o presidente

Segundo a mesma fonte, na parte do frente a frente dedicada à segurança pública, Flávio Bolsonaro prometeu declarar “guerra ao narcoterrorismo” e classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas.

Por sua vez, Lula da Silva manifestou a intenção de criar o Ministério da Segurança Pública e defendeu uma atuação conjunta dos governos federal, estadual e municipal para recuperar territórios controlados por organizações criminosas e milícias.

Flávio acabaria por recordar que os presidiários votaram massivamente em Lula há quatro anos e que essa tendência voltou a verificar-se em 2026 com uma votação de quase 73%. O chefe de Estado recorreu à ironia.

"Eu quero que votem 100%, até o teu pai. O teu pai pode votar em mim (...) Ele conhece-te e ele sabe que eu sou melhor que tu".

As famílias dos candidatos foram armas de arremesso em ambos os lados. No arranque do confronto, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) perguntou ao filho de Jair Bolsonaro o que ele tem "contra as mulheres", tendo em conta que Flávio votou contra a ampliação da licença de maternidade para as trabalhadoras públicas.

O ex-deputado estadual do Rio de Janeiro fugiu ao tema e perguntou se Lula conhecia Roberta Luchsinger, uma lobista investigada juntamente com Lulinha, filho do presidente. Luchsinger é "assunto da Polícia Federal", retorquiu o petista, antes de deixar claro que, ao contrário de Jair Bolsonaro, não iria proteger o próprio filho de investigações judiciais.

"Está tudo caro"

Flávio Bolsonaro fez duras críticas à gestão económica de Lula da Silva, ao repetir, prossegue a fonte deste jornal, que as políticas do governo levaram a um aumento acentuado do custo de vida.

"Está tudo caro", declarou. Uma tese que Lula rebateu com números.

"Nos quatro anos do governo deles, a inflação de alimentos foi de 56,17%. Agora, nos meus quatro anos, está 13%. Quatro vezes menos", sublinhou.

O senador atribuiu o aumento do endividamento à "gastança" do executivo e afirmou que o atual presidente usa o programa Bolsa Família com objetivos eleitorais.

Lula puxou para o bate-boca o fim da escala 6x1, isto é, a aprovação no Senado de cinco dias de trabalho e dois de descanso, para perguntar ao adversário se queria propor alterações à medida, com Flávio a responder que não. Isto porque, durante meses, Flávio Bolsonaro fez oposição ao projeto e chegou mesmo a considerá-lo oportunista, acabando, porém, por votá-lo favoravelmente.

Já na fase final do debate, Lula da Silva pressionou Flávio sobre a proximidade deste com o presidente da Argentina, perguntando-lhe se queria implementar no Brasil o modelo económico de Javier Milei. O filho de Jair Bolsonaro voltou a ser evasivo e limitou-se a referir que os governos de direita têm de “consertar” os problemas criados pela esquerda.

No que respeita à política externa, o candidato do PT perguntou a Flávio se, uma vez no poder, concederia a exploração de terras raras brasileiras aos Estados Unidos (EUA).

Conforme ainda a EN, o senador do PL negou qualquer doação de recursos e falou em "parceria estratégica" com Washington, acrescentando que foi à Casa Branca para defender empresas e produtos brasileiros.

Lula insistiu na questão da soberania e acusou a família Bolsonaro de subordinação aos interesses norte-americanos.

“O seu irmão [Eduardo] está fugido nos Estados Unidos, tramando contra o Brasil, pedindo intervenção do Trump no Brasil”, afirmou Lula, assinalando que, numa manifestação pró-Flávio, no domingo em São Paulo, foi exibido um míssil insuflável com uma mensagem em inglês a exortar o presidente dos EUA a lançar um ataque nuclear contra o território brasileiro.

"O que vocês estão a fazer é trair a Pátria, e vocês serão julgados por isso", enfatizou o atual presidente.

"O irmão está lá a fazer pressão e a instigar o golpe contra o Brasil. Outros asseclas que roubaram aqui estão lá. E nós estamos a trabalhar para que o Brasil seja efetivamente, depois da China, o país melhor qualificado”, acrescentou.

Flávio salientou que o irmão, Eduardo Bolsonaro, está exilado nos Estados Unidos.

 

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Comentários

joão do rosário
12 dias atrás

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jcf
14 dias atrás

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joão do rosário
16 dias atrás

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