Dificuldades enfrentadas pelos agricultores do município do Porto Novo na exportação dos produtos para os mercados turísticos estão a obrigar a classe a optar pela cultura da cana sacarina que exige menor custo de produção, informou hoje a classe.
Os autarcas santantonenses têm estado a defender ainda a necessidade de o Governo ponderar sobre o levantamento do embargo imposto, há 42 anos, aos produtos agrícolas de Santo Antão, pedindo revisão desta medida, que tem afectado a agricultura em Santo Antão.
Os produtores agrícolas confirmam que estão "a optar cada vez mais" pelo cultivo de cana de açúcar ou outras plantações que exigem menor custo em termos de produção devido a entraves no escoamento dos excedentes para os mercados turísticos.
Os problemas em aceder aos mercados têm que ver sobretudo com os transportes marítimos interilhas, explicou o produtor, Jair Fernandes, do vale de Jorge Luís.
Nesta localidade, avançou, apesar da boa disponibilidade de água para actividade agrícola, os agricultores estão a enveredar pelo cultivo da cana sacarina e outras culturas cuja produção não exige muito custo, uma vez que não conseguem chegar aos mercados turísticos.
Dificuldades de escoamento dos excedentes afectam também agricultores de outros vales, conforme constatou a Inforpress.
É o caso também de Chã de Norte, onde os produtores admitiram também a possibilidade de se enveredar pela plantação de cana sacarina devido a problemas de escoamento, segundo o porta-voz dos agricultores, Dinelson Lima.
Este produtor agrícola disse que a falta de água pode também obrigar os agricultores a optarem pelo plantio de cana de açúcar.
Em Alto Mira, os produtores têm estado igualmente a deparar-se com dificuldades de escoamento e pensam, como alternativa, na transformação dos produtos, segundo a associação de classe.
A edil do Porto Novo, Elisa Pinheiro, partilha a preocupação dos agricultores, alertando para o facto de os produtores depararem-se com “grandes entraves” na exportação dos excedentes devido a deficiente ligação dos transportes marítimos interilhas.
A autarca informou que os agricultores enfrentam “uma situação complexa” relacionada com o escoamento dos excedentes, que merece “urgentemente um novo olhar” do Governo.
Para Elisa Pinheiro, não se pode pensar apenas na produção, mas também, é preciso “com urgência” o Governo olhar para a questão do escoamento para outras ilhas e mercados, que é muito condicionado pelos problemas de transportes marítimos interilhas.
A edil porto-novense entende que o transporte interilhas é, ainda, “uma questão difícil” que tem condicionado muito os produtores agrícolas de Santo Antão, os quais não conseguem colocar a produção nos mercados turísticos devido a este “problema que precisa ser resolvido com urgência”.
Encorajou o Governo a resolver este problema, que condiciona a própria economia da ilha de Santo Antão.
Os autarcas santantonenses têm estado a defender ainda a necessidade de o Governo ponderar sobre o levantamento do embargo imposto, há 42 anos, aos produtos agrícolas de Santo Antão, pedindo revisão desta medida, que tem afectado a agricultura em Santo Antão.
A Semana com Inforpress

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