O compositor e músico cabo-verdiano, George Tavares, natural da ilha do Maio, acaba de concluir o seu novo CD, com o titulo “10 ilhas, 10 mornas”. Resultado de um trabalho de pesquisa e investigação, a obra reúne dez mornas inéditas, dedicadas à dez ilhas de Cabo Verde. Em entrevista exclusiva ao Asemanaonline, o artista anunciou que pretende lançar o disco brevemente no mercado e disponibilizá-lo nas plataformas digitais.
Por Silvana Gonçalves
A apresentação do novo CD de George Tavares está marcada para 21 de novembro, no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa, Portugal. O compositor estará acompanhado dos músicos Dick Barros, Rhaya Monteiro e Humberto Ramos. Depois de Lisboa, o artista segue para Madri, Espanha, para apresentar o disco.
A próxima apresentação está prevista para 3 de dezembro, por ocasião do Dia da Morna, na Ribeira Grande de Santo Antão, Cabo Verde.
O CD “10 ilhas, 10 mornas” reúne dez mornas inéditas, todas compostas por George Tavares e interpretadas por Dick Barros (Santo Antão), Solange Sesarovna (São Vivente), Nani Vaz (Santa Luzia), João Eugénio (São Nicolau), Mirri Lobo (Sal), Ju Sança (Boa Vista), Rhaya Monteiro (Maio), Albertino Évora (Santiago), Assol Garcia (Fogo) e Osvaldo Cruz/João Alfredo Fefi (Brava).
O CD inclui temas como: “Azul Infinite” (S.Antão), “Nha Mindel d Infansia”, (S.Vicente), “Morna Rainha” (S.Luzia), “Morna Sodade” (S.Nicolau) “Nha Testamente Divine”, (Sal) “Muza paz de nha alma” (Boa Vista), “Na primera vista” (Maio), “Sto. Nomi Santiago” (Santiago), “Sakedu na mar” (Fogo) e “Mi e flo di bu jardin” ( Brava).
Segundo George, a ideia do CD surgiu após compor uma morna dedicada à ilha do Sal (ilha na qual residia na época), inspirada na relação entre Mirri lobo e a sua mãe. A partir daí, decidiu oferecer cada ilha uma morna.
“A ideia surgiu depois de escrever sobre a ilha do Sal, logo depois escrevi sobre a ilha Brava, e pensei: Porquê não concluir isso? Então consegui seguir o projeto e quando terminei todas as mornas, decidi procurar mecanismos para a materialização do projeto”, contou. George Tavares aponta o financiamento como um dos principais desafios, estimando o custo do projeto em dois mil contos.

Valorização da morna
George Tavares considera que o novo CD reforça o seu percurso como mornista, género que compõe e promove desde cedo. Na sua opinião, a morna continua a ser pouco valorizada pelos cabo-verdianos, apesar de despertar o interesse de estrangeiros.
O compositor defende maior valorização e transmissão da morna às novas gerações, lembrando o seu reconhecimento pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
“É preciso dar continuidade à morna, levá-la às escolas e incutir nas crianças o gosto por este género desde cedo”, defendeu.
O CD produzido na Espanha teve a participação de oito produtores como: Toy Vieira (S.Vicente), Carlos Matos (Santa Luzia) e (S.Nicolau), Kim Alves (Maio), (Sal), e (Brava), Kako Alves (Santiago) e (Fogo), Humberto Ramos (S.Antão) e César Lima, (Boa Vista).
Trabalhos anteriores
George Tavares teve seu primeiro CD lançado há mais de um ano, no âmbito do concurso Prémio Musical Luís Rendall, organizado e idealizado pela Sociedade Cabo-verdiana de Autores – SOCA, no qual venceu e teve a oportunidade de gravar um CD. O trabalho musical intitulado “Mar de Lembranças”, incluiu 6 temas.
O músico e compositor já compôs cerca de 50 músicas para diferentes cantores cabo-verdianos, como; “Sima Kretxeu” morna do primeiro disco de Assol Garcia e “Sina de Djarfogu”, “Nha Txon sagrado” de Mariana Ramos, “Maria de lida” de Lura, “Nhas amigos “ “Nhas dos amores”, “Nha bida”, entre outras.


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