No próximo dia 21 de agosto, pelas 18h00,o centro cultural do Mindelo será o palco da apresentação do livro ‘Instauração do Salazarismo em Cabo Verde - Repressão como meio de silenciar os opositores’, da autoria do historiador e professor Manuel Souto Amado. A obra, que analisa o impacto político e económico do regime ditatorial no arquipélago entre 1926 e 1939,terá a sua apresentação a carga de Carlos Santos.
Conforme a nota remetida ao Asemanaonline,a investigação de Manuel Souto Amado volta até ao período da República Portuguesa. Este regime, inicialmente aguardado com grande euforia e expectativa pelas populações colonizadas, prometia maior justiça, liberdade e descentralização.
Contudo, as promessas de igualdade de direitos e o almejado estatuto de adjacência para Cabo Verde nunca se concretizaram. Esta falha gerou uma profunda frustração na sociedade cabo-verdiana, transformando antigos defensores da República em opositores.O intelectual Eugenio Tavares e destacado na obra como um dos principais alvos da perseguição e prisão injusta por parte do regime republicano, que acabou por cair em 1926 devido à instabilidade em Portugal.
Com a instauração da Ditadura Militar em 1926 e a posterior ascensão de Salazar ao poder em 1932, a relação entre a metrópole e as colónias sofreu uma centralização severa. A Constituição de 1933 retirou a Cabo Verde a sua limitada autonomia administrativa e financeira.
A década de 1930 ficou marcada pelo agravamento das crises económicas crónicas e pela fome. A passividade do governo colonial perante o sofrimento da população desencadeou fortes tensões sociais. A ilha de São Vicente, severamente afetada, tornou-se o epicentro da contestação, culminando na histórica revolta de ‘Nhô Ambrose’.
Para garantir a sobrevivência e a consolidação do regime, o Salazarismo implementou violentos mecanismos de censura e intimidação. A nível político e civil, as liberdades foram severamente reduzidas.
Segundo a fonte referida, o livro aponta o Campo de Concentração do Tarrafal, em Santiago, como o expoente máximo deste aparelho repressivo no arquipélago. Através do medo, da crueldade e da morte de opositores, o regime salazarista afirmou-se, segundo a obra, como o período histórico que mais penalizou e fustigou o povo cabo-verdiano.
Manuel António de Pina Souto Amado é natural de São Lourenço, no concelho de São Filipe, ilha do Fogo, onde nasceu a 20 de abril de 1969. Formado pelo Instituto Superior de Educação (ISE) em Cabo Verde, concluiu a sua licenciatura e mestrado na Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. Com passagens pelos ministérios dos Transportes e das Finanças, exerce funções como docente de Ensino Secundário na Escola Dr. Teixeira de Sousa, na ilha do Fogo, desde 1997.

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