Em declarações à Inforpress João Mendes explicou que esses ninhos se encontram localizados nas praias de Areia Grande, Achada Baleia, Praia Baixo e praia do Mangui.
Apesar do sucesso na preservação, o responsável avançou que a associação enfrenta grandes desafios, apontando a “extração ilegal” de areia na Praia dos Amores, uma praia situada na fronteira de Santa Cruz e Calheta de São Miguel e a caça de tartarugas, que já causou a destruição de ninhos e a morte de alguns animais.
João Mendes considerou a época como “positiva”, mas alertou para os vários desafios que a associação enfrenta no terreno, entre os principais obstáculos está a extração ilegal de areia na Praia dos Amores, uma área protegida onde ocorreram actividades ilegais que colocam em risco o ecossistema local.
De acordo com Mendes, toneladas de areia foram retiradas dessa praia e transportadas para outra área sem desova de tartarugas e como consequência, diversos ninhos foram destruídos, e a degradação da praia compromete a sua recuperação natural a curto prazo.
A Praia dos Amores, conforme ressaltou, está protegida por um Decreto-Lei que visa garantir a preservação dos habitats das espécies, mas a aplicação da legislação tem-se revelado “insuficiente”.
O ambientalista sublinhou a necessidade de uma acção colaborativa entre a população, o poder local e o poder central, apelando às autoridades competentes para intervirem rapidamente.
“A falta de colaboração da sociedade é uma questão central, dificultando os esforços de conservação, especialmente nas praias de Areia Grande e Achada Baleia, onde foram registados casos de caça ilegal de tartarugas”, disse, avançando que na praia de Areia Grande, a associação conseguiu resgatar algumas tartarugas capturadas, embora duas tenham morrido.
Neste sentido, sublinhou que a associação tem trabalhado em conjunto com as autoridades locais, mas que as dificuldades permanecem, especialmente em áreas mais isoladas e de difícil acesso.
“A Caretta Caretta continua a sensibilizar a população para a importância de proteger as tartarugas marinhas e os seus habitats”, afirmou este dirigente, apelando à comunidade para se juntar à causa da associação.
João Mendes reforçou que a preservação do ambiente “é uma responsabilidade de todos, essencial para que as futuras gerações possam conhecer e proteger as espécies ameaçadas”.
A associação defende que sem o envolvimento de todos, será difícil combater as práticas ilegais que afectam as praias e os habitats naturais.
“A proteção da biodiversidade, e em especial das tartarugas marinhas, depende de um esforço colectivo que garanta a sobrevivência das espécies e a recuperação dos ecossistemas degradados”, vincou.
Cabo Verde possui um conjunto de leis e regulamentos voltados para a preservação ambiental e a protecção das espécies ameaçadas, como as tartarugas marinhas. Entre as normas, destaca-se o Decreto-Lei n.º 7/2002, que regula a proteção das zonas costeiras e habitats de espécies em risco, estabelecendo áreas protegidas onde a actividade humana é limitada.
Além disso, a Lei de Proteção das Tartarugas Marinhas, implementada em 2018, criminaliza a captura, apanha e comercialização de tartarugas e seus ovos, com penalizações severas para os infractores.
A Semana com Inforpress

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