sábado, 24 outubro 2026

PM de Cabo Verde pede a sindicatos de professores que tenham “noção dos limites” da despesa

“É preciso ter noção dos limites. Entendo a ação corporativa dos sindicatos, mas os professores devem entender o lado do Governo, que está a defender o resto do país”, referiu Ulisses Correia e Silva, ao discursar numa cerimónia para assinalar o arranque do ano letivo 2024/25, em São Lourenço dos Órgãos, ilha de Santiago.

O primeiro-ministro voltou a referir que o Governo tem uma despesa adicional de cerca de 800 milhões de escudos (7,3 milhões de euros) anuais com a valorização das carreiras já feita nos últimos anos, em diálogo com os sindicatos.

Atender aos pedidos de todos os setores que dependem do Estado “é mais difícil para o lado do Governo: este equilíbrio tem de ser feito entre várias coisas”, justificou.

“Do lado do sindicato é uma única via, é reivindicar e, às vezes, sem noção da responsabilidade, tenho de dizer isto. Não estou a falar de todos [os sindicatos], mas alguns ultrapassam os limites da responsabilidade e não interessa se deixam isto rebentar tudo. Do nosso lado, não vamos deixar, porque defendemos interesses gerais, comuns, que não são corporativos”, acrescentou.

Ulisses Correia e Silva classificou como “importante” que “não se submeta um setor tão importante como a educação, quer a interesses corporativos, quer a interesses políticos”.

“O bolo não cresce conforme a nossa vontade”, são necessários recursos, disse também no mesmo discurso.

O líder do Governo deu um exemplo dos dilemas que se colocam: “Se eu introduzo despesa além daquilo que é possível na administração pública, isso provoca duas coisas: ou vamos estar disponíveis para aumentar impostos - e ninguém quer pagar, quanto mais aumentar - ou vamos aumentar a dívida pública futura, com mais problemas para o país”.

“Se tiro uma parte grande para um setor, vai faltar para outro. Qual a parte que vai ficar de fora?”, questionou.

O Sindicato Democrático dos Professores (Sindprof) e o Sindicato Nacional dos Professores (Sindep) formalizaram um pré-aviso de greve para quinta e sexta-feira, mas há ainda negociações em curso.

Entretanto, a lei da carreira dos professores que estabelece aumentos salariais a partir de 01 de janeiro de 2025 vai voltar a ser submetida ao parlamento, após veto do Presidente da República.

José Maria Neves considerou haver questões fraturantes por discutir, como o sistema de formação de docentes, mas o Governo discordou do veto político.

Um total de 130 mil alunos e 7.500 professores do ensino básico ao secundário regressam hoje às aulas, em Cabo Verde.

A Semana com Lusa

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
18 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
21 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport