“A grande maioria dos palestinianos não é do Hamas e o Hamas não representa o povo palestiniano. Não podemos permitir que terroristas como o Hamas vençam”, escreveu o governador nas redes sociais.
Ao longo dos últimos anos, Walz foi um forte defensor do presidente Joe Biden, sendo uma das vozes que se manteve fiel à recandidatura do presidente, mesmo após a derrota contra Trump num debate televisivo. À semelhança do presidente, o governador tem uma postura ambiciosa no que toca à política de transição climática. Walz quer que o seu estado dependa 100% de fontes energéticas renováveis até 2040. Além disso, o homem escolhido para ser o número dois de Kamala Harris defende que é possível “criar um futuro de energia limpa onde possamos proteger a nossa água, proteger a nossa terra e fazer isso de uma forma que faça crescer a economia”.
A sintonia com Joe Biden estende-se também à política económica e fiscal do governador. No seu estado, Walz criou medidas para garantir o pagamento de propinas da universidade a alunos de baixos rendimentos, bem como alimentação gratuita nas escolas do estado e licenças médicas e familiares pagas. Além disso, o político norte-americano garantiu verbas de mais de quatro mil milhões de dólares para a construção de habitação, estradas e infraestruturas.
Uma luta de vices
Ambos os candidatos escolherem ter a seu lado um homem do Midwest, a região noroeste do país, composta por 12 estados e mais de 65 milhões de habitantes. Pelo menos, dois dos cruciais “swing states”, estados que oscilam na votação entre os dois partidos, estão nesta região. Tanto Vance como Walz foram escolhidos para ser uma voz próxima dos trabalhadores desta região.
“A escolha de Walz é muito inteligente, apesar de ser defensiva. Walz é muito importante para o eleitorado banco moderado que não esteja politicamente radicalizado. Esta escolha vem buscar muito do eleitorado que que JD Vance, candidato a vice de Donad Trump, vinha buscar”, explica o professor de Relações Internacionais Tiago André Lopes.
O rival de Walz, o senador do Ohio JD Vance, tem vindo a ser alvo de críticas nas últimas semanas, depois de os seus comentários sobre as mulheres norte-americanas que não têm filhos biológicos terem vindo a público. Numa entrevista em 2021, Vance sugeriu que estas mulheres são solitárias e que vivem na companhia de gatos, não tendo qualquer interesse no futuro dos Estados Unidos da América.
O candidato republicano é contra o aborto, tendo afirmado que gostaria de “tornar o aborto ilegal a nível nacional”. No entanto, JD Vance fez da posição de Trump a sua e agora está disposto a deixar a decisão nas mãos de cada estado. Esta posição é radicalmente diferente da de Walz, que defende os direitos reprodutivos das mulheres, bem como a fertilização in vitro, que permitiu que ele a sua mulher tivesse uma filha, depois de sete anos de luta contra a infertilidade.
“O nome da minha filha mais velha é Hope [esperança em português]. Isto porque a minha esposa e eu passámos sete anos a tentar engravidar, precisávamos de tratamentos de fertilidade, coisas como fertilização in vitro – coisas que [republicanos] proibiriam. Eles são os anti-liberdades”, disse Walz aos apoiantes de Harris.
Uma matéria que distingue os dois candidatos é também a questão do armamento. Ao passo que JD Vance é um acérrimo defensor da segunda emenda da Constituição norte-americana, que garante aos cidadãos o direito à legítima defesa através de armamento. Tim Walz, apesar de não ser o candidato mais radical do partido no que toca à posse de armas, deu aos juízes do Minnesota o poder de retirar as armas a pessoas que possam ser consideradas um perigo para si ou para outros.
Mas talvez nenhum tema separe tanto os dois candidatos como o apoio à Ucrânia. Quando, a 24 de abril, o Congresso finalmente aprovou à justa um pacote de ajuda à Ucrânia de quase 55 mil milhões de euros, JD Vance não poupou críticas ao escancarar da carteira norte-americana para justificar o seu voto contra. Apesar de não ter conseguido o chumbo que pretendia, garantiu aos jornalistas que “ficou claro para a Europa e para o resto do mundo que a América não pode continuar a passar cheques em branco por tempo indefinido”. Mais tarde, no podcast de Steve Bannon, disse mesmo estar-se “nas tintas para o que acontece na Ucrânia”.
Esta posição contrasta com a de Tim Watz, que no segundo aniversário da guerra na Ucrânia, o governador do Minnesota visitou a embaixada ucraniana nos Estados Unidos da América, onde “reafirmou o nosso compromisso contínuo” de apoio a Kiev e assinou vários acordos de cooperação. Numa publicação nas redes sociais, Tim Walz garantiu que o seu estado mantém-se lado a lado com o povo ucraniano “na luta pela liberdade e pela democracia”. Na mesma altura, o governador do Minnesota criou uma parceria agrícola com a região ucraniana de Chernihiv, depois de se encontrar com a embaixadora. “Assim que expulsarmos os russos, teremos alguma cooperação”, disse Walz.
“Walz, tal como Kamala, defende a ajuda à Ucrânia, mas faz parte do grupo de pessoas que questiona qual o montante dessa ajuda. Com uma vitória de Kamala e Walz, a ideia da ajuda à Ucrânia a custo perdido parece estar prestes a acabar”, frisa Tiago André Lopes.
Embora não seja muito reconhecido fora das fronteiras do seu estado do Minnesota, este homem de 60 anos distinguiu-se nas últimas semanas pelas suas repetidas farpas contra Donald Trump e contra a sua equipa, que descreve como um grupo de “tipos estranhos”. Estas palavras valeram-lhe notoriedade mediática e o antigo presidente não perdeu tempo a reagir à sua nomeação para vice-presidente de Kamala Harris.
“Desde propor a sua agenda livre de carbono, até sugerir muito restritos padrões de emissão de carros a combustível e abraçar políticas que permitem a condenados votar, Walz está obcecado em difundir a agenda de esquerda da Califórnia”, escreveu a campanha republicana.
“Tal como Kamala Harris, Tim Walz é um perigoso extremista liberal, e o sonho californiano Harris-Walz é o pesadelo de todos os americanos”, lê-se na reação da campanha de Trump.
A Semana com CNN Portugal
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