sábado, 24 outubro 2026

CPLP? Cabo Verde faz balanço positivo apesar de "altos e baixos"

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde defendeu que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) cumpriu as funções para que foi criada, apesar de "altos e baixos", e propôs uma discussão sobre o futuro da organização. "ACPLP teve altos e baixos, mas no global tem cumprido as funções para as quais foi criada", referiu José Luís Livramento, em entrevista à Lusa, a propósito do aniversário da comunidade. A promoção da língua e do desenvolvimento e a projeção a nível internacional, "com uma palavra a dizer", são pontos altos, disse o ministro cessante dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional e ministro das Comunidades de Cabo Verde. "O papel desempenhado, por exemplo, na independência de Timor-Leste em relação à Indonésia", assim como noutras convulsões nos seus Estados-membros foi destacado pelo ministro. Uma nota positiva que José Luís Livramento estende ao dossiê da mobilidade, "com um princípio de acordo, que está em consolidação e que faz com que os povos sintam que estão numa comunidade", assim como ao nível do usufruto cultural e da cooperação técnica em setores como educação e saúde. No entanto, "tem havido interrogações sobre se determinados membros estão a seguir o que foi acordado, como é o caso da Guiné Equatorial", assim como momentos em que "um ou outro país só participa institucionalmente na CPLP, sem dar a sua dinâmica" para o crescimento da própria comunidade. "Há muito por onde andar, mas há que resolver alguns problemas: em primeiro lugar, aquilo que está a passar-se a nível dos empresários da CPLP, com indefinições e 'guerras', entre aspas, sobre a direção da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP)", algo que "não propicia os negócios que devem existir dentro da comunidade", referiu o governante. Há três anos e meio, o empresário e dirigente associativo cabo-verdiano Marcos Rodrigues contestou judicialmente uma segunda votação que elegeu a guineense Nelma Fernandes para a presidência da CE-CPLP. O assunto "deve ser resolvido entre os próprios agentes empresariais, porque o problema é deles, embora possa também haver uma ação diplomática para a sua solução", referiu José Luís Livramento. Noutro capítulo, o chefe da diplomacia cabo-verdiana aponta "problemas de financiamento do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP)", órgão de promoção da língua, sedeado na cidade da Praia. A projeção do português em instâncias internacionais e a inovação requerida pela emergência da inteligência artificial são outros pontos que exigem discussão, numa lista que, segundo José Luís Livramento, deviam merecer um fórum específico de discussão. "Poderíamos ter um tema específico, como 'A CPLP do futuro', em que questões de fundo seriam recolocadas. Porque assim como em 1996 se chegou à conclusão que devia haver uma nova etapa", com a fundação da comunidade, "hoje precisamos de renovar essa etapa, avaliando os principais objetivos estratégicos e o 'modus operandi' da própria CPLP", detalhou. No caso, quem habitualmente decide sobre tais matérias "são cimeiras de chefes de Estado e de Governo", acrescentou. "Cabo Verde é um defensor acérrimo da CPLP", organização que assenta "num quadripé, a única comunidade nos quatro continentes", diversidade que deve ser gerida "com inteligência, para se tirar partido dessa presença geográfica", disse José Luís Livramento -- apontando que Cabo Verde, por exemplo, "já se definiu como plataforma para o espaço da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO)". O ministro falou à Lusa a poucos dias de o Governo cessar funções, após 10 anos de maioria absoluta do Movimento para a Democracia (MpD), seguindo-se um executivo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV). No entanto, "há experiência de alternância no poder que mostra que é um tema pacífico. Não creio haver grandes diferenças na aproximação e na contribuição que Cabo Verde pode e deve dar na CPLP", concluiu. Integram a CPLP, que assinala 30 anos em 17 de julho, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.   A Semana com NM/Lusa

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Comentários

joão do rosário
16 dias atrás

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jcf
18 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
20 dias atrás

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