sábado, 24 outubro 2026

EUA: Relatório das eleições de 2024 crítico de Kamala divide Partido Democrata

 

Harris admitiu em abril voltar a concorrer à presidência. "Talvez. Estou a pensar nisso", respondeu Harris ao reverendo Al Sharpton, depois de este lhe perguntar diretamente se iria concorrer à presidência em 2028. A ex-vice-presidente lançou recentemente um comité de ação política e começou uma série de deslocações pelos Estados Unidos para apoiar candidatos democratas, especialmente nos estados do sul. 

 

O presidente do CND, Ken Martin, tinha prometido divulgar o relatório de 192 páginas há meses, mas manteve-o em segredo por temer que interferisse na mobilização dos democratas para retomar o controlo do Congresso nas eleições intercalares agendadas para novembro, e divulgou-o sob forte pressão interna de membros do partido frustrados com a sua liderança.

"Não queria criar uma distração", escreveu Martin no Substack. "Ironicamente, ao fazê-lo, acabei por criar uma distração ainda maior. E por isso, peço sinceras desculpas."

Embora a análise critique o foco dos democratas na "política identitária", ignora alguns dos elementos mais controversos da campanha de 2024, como a decisão do ex-presidente Joe Biden de se recandidatar, a sua desistência e a escolha apressada de Harris ou a divisão do partido sobre a guerra em Gaza.

"Não subscrevo o que está neste relatório, nem o que foi omitido. Não podia, de boa-fé, dar-lhe o selo de aprovação do Comité Nacional Democrata (DNC). Mas a transparência é fundamental", disse Martin.

Numa teleconferência hoje com a sua equipa, Martin anunciou que o principal autor do relatório, o consultor Paul Rivera, já não trabalhava com o DNC, segundo a AP, que cita um participante na discussão privada.  

O relatório pós-eleitoral, inicialmente divulgado pela CNN, apela a "um foco renovado nos eleitores do interior e do sul dos Estados Unidos, que passaram a acreditar que não estão incluídos na visão democrata de uma América mais forte e dinâmica para todos".

"Milhões de americanos sofrem com o acesso precário à saúde, com a perda de empregos e com infraestruturas precárias, mas continuam a ser persuadidos a votar contra os seus próprios interesses porque não se veem representados na América do Partido Democrata", refere o relatório.

A análise aponta para uma redução do apoio e formação aos partidos democratas estaduais, alterações no recenseamento eleitoral e "uma persistente incapacidade ou falta de vontade de ouvir todos os eleitores".

A divulgação surge numa altura em que Martin enfrenta uma crise de confiança entre os dirigentes do partido, pouco mais de um ano após o início do seu mandato.  

O relatório constatou que Harris e os seus aliados não se concentraram o suficiente nos aspetos negativos de Trump, especialmente nas suas condenações por crimes graves.  

"A liderança democrata de 2024 decidiu não se envolver em propaganda negativa à escala necessária", refere o relatório. "A campanha de Trump e os Super PAC (funds que financiam anúncios eleitorais) que o apoiam atacaram a vice-presidente Harris com toda a força, mas não houve uma reação negativa suficiente ou semelhante por parte dos democratas contra Trump."

O Comité Nacional Democrata (DNC) indicou rejeitar estas conclusões, acrescentando notas como "nenhuma fonte ou prova fornecida".

O ataque de Trump às políticas de Harris em relação às pessoas transgénero foi citado como um contraste fundamental: Harris foi "encurralada" pelo anúncio "muito eficaz" da campanha de Trump destacando declarações anteriores da candidata democrata em apoio de cirurgias de afirmação de género para reclusos financiadas pelos contribuintes.  

O relatório condenou ainda o foco do partido nas "políticas identitárias".

"Harris descartou a América rural, assumindo que as margens urbanas/suburbanas compensariam", refere o relatório. "Não se pode perder as zonas rurais por margens esmagadoras e compensar noutros locais quando os eleitores rurais representam uma parte significativa do eleitorado".

O relatório menciona ainda o fraco desempenho dos democratas entre os eleitores homens não brancos.

Harris admitiu em abril voltar a concorrer à presidência. "Talvez. Estou a pensar nisso", respondeu Harris ao reverendo Al Sharpton, depois de este lhe perguntar diretamente se iria concorrer à presidência em 2028. 

A ex-vice-presidente lançou recentemente um comité de ação política e começou uma série de deslocações pelos Estados Unidos para apoiar candidatos democratas, especialmente nos estados do sul. 

Depois das eleições intercalares de novembro, em que os democratas esperam retomar o controlo do Congresso, os pré-candidatos presidenciais deverão começar a posicionar-se para as primárias de 2027. 

Entre os potenciais candidatos estão o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, o ex-secretário dos Transportes Pete Buttigieg, o governador de Illinois, JB Pritzker, o governador de Maryland, Wes Moore, o governador do Kentucky, Andy Beshear, o deputado Ro Khanna, da Califórnia, e os senadores do Arizona, Mark Kelly e Ruben Gallego. 

Também o governador da Califórnia, Gavin Newsom, se tem posicionado como uma das principais alternativas do Partido Democrata, com uma oposição de grande visibilidade a Donald Trump. 

A Semana com Notícias ao Minuto/Lusa

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Comentários

joão do rosário
16 dias atrás

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jcf
18 dias atrás

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