O evento de alto nível reuniu dirigentes africanos e representantes da UNESCO e da União Africana, sob o lema “Celebrando Duas Décadas de Investimento Sustentável no Património de África”.
Decorre esta terça-feira, 5 de maio, as celebrações do 10.º Dia Mundial do Património Africano, que este ano coincidem com o 20.º aniversário do Fundo do Património Mundial Africano (AWHF).
O Chefe de Estado participou por vídeo no evento que decorre em Midrand, África do Sul, no campus do Banco de Desenvolvimento da África Austral (DBSA).
O evento de alto nível reuniu dirigentes africanos e representantes da UNESCO e da União Africana, sob o lema “Celebrando Duas Décadas de Investimento Sustentável no Património de África”.
Na sua mensagem transmitida, que este jornal digital teve acesso, José Maria Neves sublinhou que o património africano não deve ser encarado como uma herança estática do passado, mas como um motor de dignidade, emprego e soberania, alertando para o paradoxo de África representar apenas cerca de 12% dos sítios inscritos na lista do Património Mundial, ao mesmo tempo que concentra aproximadamente 30% dos bens classificados como património em perigo.
Recordando o Preâmbulo da Constituição da UNESCO, o Presidente da República defendeu que preservar o património natural e cultural é também um ato de diplomacia preventiva, capaz de promover diálogo, tolerância e estabilidade num contexto internacional marcado por conflitos, fragmentação e múltiplas crises.
Neves destacou ainda a necessidade de converter a vontade política em investimento sustentável, apelando a uma convergência estratégica entre a UNESCO, através do programa “Prioridade África”, e o Fundo do Património Mundial Africano, bem como a um maior envolvimento dos Estados africanos, do setor privado e da filantropia internacional.
José Maria Neves defendeu igualmente o investimento nos jovens, nas mulheres e nas indústrias criativas, sublinhando que transformar a memória coletiva em valor económico é uma via essencial para um desenvolvimento inclusivo e resiliente do continente.
Neste sentido, destacou o Encontro Internacional sobre a Crioulidade Atlântica, a realizar em Cabo Verde de 28 a 30 de maio, como contributo para um humanismo africano ancorado na partilha, na coexistência e no diálogo intercultural.
O Presidente enquadrou esta visão num paralelo com o espírito Ubuntu, palavra bantu que pode ser traduzida como “humanidade” ou “Eu sou porque nós somos”, sublinhando que tanto a crioulidade como o Ubuntu afirmam a solidariedade, a compaixão e a interdependência como fundamentos de uma paz duradoura e de uma identidade aberta ao “outro”.
“O património é o fio invisível que une os nossos antepassados às gerações futuras”, afirmou José Maria Neves, conforme o comunicado remetido ao ASemanaonline.
Por fim, o Chefe de Estado deixou um apelo à responsabilidade financeira dos Estados e parceiros, defendendo o reforço da dotação do Fundo do Património Mundial Africano, com a meta de 25 milhões de dólares, como um verdadeiro imperativo de soberania cultural.

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