sábado, 24 outubro 2026

Estudo detecta microplásticos e químicos em aves marinhas subantárticas

No total, foram identificadas 1.275 partículas resultantes da atividade humana nos tratos gastrointestinais dos animais analisados, havendo, em média, cerca de 17 partículas em cada.

O estudo internacional, liderado por investigadores do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), detetou “microplásticos e compostos químicos associados à produção de plásticos (aditivos)”, alguns dos quais reconhecidos como disruptores endócrinos (que interferem no sistema hormonal).

Os investigadores analisaram sete espécies de aves marinhas subantárticas, algumas das quais classificadas como vulneráveis ou em perigo de extinção.

No total, foram identificadas 1.275 partículas resultantes da atividade humana nos tratos gastrointestinais dos animais analisados, havendo, em média, cerca de 17 partículas em cada.

A aluna de doutoramento em Biociências da FCTUC e do British Antarctic Survey (Reino Unido) Joana Fragão explicou que “as análises revelaram que a maioria das partículas identificadas era de origem sintética (59%), em particular plástico”.

Foram igualmente encontradas “partículas de origem natural, como celulose e algodão, mas de origem industrial, podendo conter compostos adicionais, como corantes, que podem persistir no ambiente”.

O estudo analisou também a presença de compostos com potencial ação como disruptores endócrinos no fígado e no músculo das aves.

A coautora do estudo Filipa Bessa sublinhou que “os resultados evidenciam a presença simultânea de microplásticos e destes compostos em aves marinhas de regiões remotas, não tendo sido ainda estabelecida uma relação direta entre ambos nem avaliados os seus efeitos biológicos”.

Apesar disso, estes dados “contribuem para uma melhor compreensão da exposição da fauna marinha a diferentes tipos de poluentes”.

Os investigadores defenderam a necessidade de “reforçar medidas internacionais que visem a redução da poluição marinha e a proteção da biodiversidade”.

A criação de “programas de monitorização de plásticos e contaminantes químicos, mesmo em ecossistemas considerados isolados”, é uma das medidas que consideram importante tomar.

A Semana com Inforpress/Lusa

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Comentários

joão do rosário
16 dias atrás

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jcf
18 dias atrás

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joão do rosário
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