sábado, 24 outubro 2026

Petróleo chega a 126 dólares por barril com guerra no Irão a intensificar-se

 

A escalada nos preços do petróleo resulta diretamente do impasse nas negociações sobre a reabertura do estreito de Ormuz, da ausência de um caminho claro para pôr fim à guerra e da perceção de que poderá regressar a ação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel.

O petróleo Brent, referência internacional para os preços do crude, disparou mais de 7% nas primeiras negociações de quinta-feira, tocando nos 126 dólares por barril, o valor intradiário mais elevado desde 2022, quando a Rússia lançou a invasão em grande escala da Ucrânia.

A referência norte-americana, o WTI, avançou também mais de 3% e superou os 110 dólares por barril.

À hora de redação deste artigo, os preços corrigiram ligeiramente, com o contrato de Brent com vencimento mais próximo a negociar em torno de 122 dólares por barril e o WTI perto de 108,5 dólares.

Os preços estão agora nos níveis mais altos desde o início da guerra com o Irão.

A escalada nos preços do petróleo resulta diretamente do impasse nas negociações sobre a reabertura do estreito de Ormuz, da ausência de um caminho claro para pôr fim à guerra e da perceção de que poderá regressar a ação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel.

Prevê-se que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúna na quinta-feira com o chefe do Comando Central dos EUA, o almirante Brad Cooper, para receber um briefing sobre novas opções militares para uma intervenção no Irão, segundo o Axios, que cita duas fontes não identificadas.

O encontro sinaliza um possível novo agravamento no Médio Oriente, numa altura em que o eventual retomar das operações de combate estará, alegadamente, "a ser seriamente ponderado" e em que os mercados petrolíferos reagiram rapidamente à notícia.

Um cessar-fogo mantém-se desde o início de abril, mas as tentativas recentes de negociação não têm produzido resultados, com as duas partes a recusarem-se a reunir. Entretanto, tanto os Estados Unidos como o Irão mantêm o bloqueio ao vital estreito de Ormuz.

O Comando Central dos EUA terá também solicitado o envio de mísseis hipersónicos para o Médio Oriente, o que marcaria a primeira vez que o exército norte-americano destacaria esse tipo de armamento.

O bloqueio persistente de portos e a ameaça de alargamento dos combates alteraram de forma profunda as expectativas dos mercados.

Equilíbrios em mudança na OPEP e no abastecimento mundial

A escalada de preços ocorre num contexto de mudanças estruturais significativas na hierarquia mundial do petróleo.

No início desta semana, os Emirados Árabes Unidos retiraram-se oficialmente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da sua aliança alargada (OPEP+), uma decisão que o país justificou com a necessidade de dar prioridade aos seus próprios interesses nacionais.

Em condições de mercado normais, a saída de um grande produtor do cartel poderia indiciar um possível aumento da oferta ou uma menor estabilidade dos preços.

No entanto, a dimensão da guerra com o Irão tornou a saída dos Emirados uma preocupação secundária para os operadores.

Apesar da saída dos Emirados, que se previa poder enfraquecer o controlo da OPEP sobre as quotas de produção, os preços mantiveram a trajetória ascendente.

Isto sugere que o chamado 'prémio de guerra' domina atualmente todos os outros fundamentos de mercado.

Os investidores mostram-se, para já, menos preocupados com a política interna dos países produtores e mais focados na ausência física imediata de crude iraniano, na suspensão das rotas de transporte através do estreito de Ormuz e na ameaça à infraestrutura regional.

Ainda assim, a passagem dos Emirados Árabes Unidos a ator independente sublinha a crescente fragmentação da governação energética global numa altura em que a segurança energética mundial se encontra particularmente vulnerável.

A Semana com Euronews

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
16 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
18 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
20 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport