sábado, 24 outubro 2026

Nicolás Maduro regressa quinta-feira a tribunal em Nova Iorque

 
“A única solução é o abandono das acusações, porque este tribunal não pode permitir que este processo prossiga em violação dos direitos constitucionais”, escreveram os advogados.
 
 

Detido, tal como a mulher, no Metropolitan Detention Center (MDC), em Brooklyn, uma prisão federal conhecida pelas más condições e problemas de gestão, Maduro encontra-se sozinho numa cela, sem acesso à internet ou a jornais.

Apelidado de “Presidente” por alguns companheiros de detenção, Maduro lê a Bíblia e só pode comunicar por telefone com a família e os advogados durante um máximo de 15 minutos por chamada, indicou uma fonte próxima do Governo venezuelano, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Capturado a 3 de janeiro em Caracas, juntamente com a mulher, numa operação militar do Exército norte-americano — que envolveu cerca de 150 aviões e helicópteros, além de tropas no terreno –, Maduro é acusado nos Estados Unidos de quatro crimes, incluindo narcoterrorismo.

O ex-Presidente negou as acusações e os advogados tentam anular a acusação formal, indicam documentos judiciais recentemente divulgados.

No centro da argumentação da defesa está o facto de a administração norte-americana impedir o Estado venezuelano de pagar os honorários dos advogados do casal, devido às sanções internacionais impostas ao país.

Para a defesa de Maduro, impedir um arguido de ter acesso a um advogado da sua escolha constitui uma violação de um direito garantido pela sexta emenda da Constituição dos Estados Unidos.

“A única solução é o abandono das acusações, porque este tribunal não pode permitir que este processo prossiga em violação dos direitos constitucionais”, escreveram os advogados.

A resposta do juiz responsável pelo processo, Alvin Hellerstein, magistrado de 92 anos experiente em grandes casos judiciais, será observada com atenção, embora a hipótese de anulação das acusações pareça pouco provável.

“[Maduro estava] à frente de um governo corrupto e ilegítimo que, durante décadas, utilizou o poder do Estado para proteger e promover atividades ilegais, nomeadamente o tráfico de droga. Este tráfico enriqueceu e consolidou o controlo da elite política e militar venezuelana”, de acordo com a acusação.

Mais especificamente, é acusado de se ter aliado a movimentos de guerrilha, nomeadamente colombianos — que Washington considera terroristas -, bem como a cartéis criminosos, para “enviar toneladas de cocaína para os Estados Unidos”.

Durante a primeira comparência em Nova Iorque, Maduro apresentou-se como “um prisioneiro de guerra”, capturado a 3 de janeiro.

Desde a captura do casal, as autoridades venezuelanas organizaram numerosas mobilizações em Caracas e noutras partes do país para exigir a libertação. Também foram promovidas iniciativas de envio de cartas em apoio ao ex-líder.

Depois de ter governado o país com mão de ferro durante 12 anos, o antigo motorista de autocarro, que sucedeu ao mentor Hugo Chávez, foi substituído pela vice-presidente, Delcy Rodríguez.

Rodríguez tem multiplicado concessões e gestos de apaziguamento em relação aos Estados Unidos, enquanto o Presidente norte-americano, Donald Trump, repete frequentemente dirigir agora, de facto, a Venezuela a partir de Washington.

A Semana com Observador/Lusa

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Comentários

joão do rosário
16 dias atrás

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jcf
18 dias atrás

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