sábado, 24 outubro 2026

Entre tambores e búzios, Tabanca enche as ruas de Santa Cruz de cor, tradição e emoção

Luís da Veiga, rei da Tabanca de Salina, ponto onde partiu o desfile, sublinhou que a tradição precisa ser promovida continuamente. Segundo explicou, em Santa Cruz os grupos activos trabalham em conjunto para reerguer alguns que enfraqueceram com a saída de jovens para a emigração.

 

 

Vindos da localidade de Salina, homens, mulheres e crianças avançavam em cortejo, vestidos com cores vivas e acompanhados pelo ritmo forte dos tambores. À frente, figuras tradicionais conduziam o desfile enquanto o som do búzio e do corneto ecoava pelas ruas, anunciando a passagem da Tabanca.

À medida que o cortejo percorria diferentes bairros e localidades do município de Santa Cruz, mais pessoas se juntavam à caminhada. Uns seguiam ao lado dos grupos, outros observavam das portas e varandas, criando um ambiente de festa, partilha e orgulho cultural.

Luís da Veiga, rei da Tabanca de Salina, ponto onde partiu o desfile, sublinhou que a tradição precisa ser promovida continuamente. Segundo explicou, em Santa Cruz os grupos activos trabalham em conjunto para reerguer alguns que enfraqueceram com a saída de jovens para a emigração.

“Os grupos mais antigos estão a ajudar os novos para poderem brincar como manda a tradição”, afirmou, destacando o esforço colectivo para manter viva esta manifestação cultural.

Para Nelita Monteiro, da Tabanca de Chã de Tanque, o encontro anual em Santa Cruz representa um importante intercâmbio entre os grupos. Pois, conforme reconheceu, estes momentos permitem fortalecer a união entre os participantes e incentivar a continuidade da tradição.

“Temos feito formações, ensinamos os mais novos a tocar e a desfilar, porque a emigração reduziu o número de participantes”, explicou, acrescentando que o grupo aposta fortemente na transmissão da tradição às novas gerações.

Vital Fernandes, do grupo de Charco, considerou o desfile um dos melhores que já presenciou em termos de organização. Segundo afirmou, o seu grupo participa há mais de dez anos no evento e acredita que a Tabanca deve continuar a ser ensinada às futuras gerações.

Já Vanilda Monteiro, do grupo Família 3 Ritmo, contou que este ano integrou pela primeira vez o grupo, motivada por outros participantes. Disse que cresceu a assistir às manifestações da Tabanca e acredita que a tradição “corre nas veias” de quem nasce em Santa Cruz.

O desfile integrou o terceiro e último dia do festival temático “1 Concelho 3 Ritmos”, realizado no âmbito do “Marsu: Mês di Kultura” e das celebrações dos 55 anos da criação do município de Santa Cruz.

A Tabanca é uma das manifestações culturais mais emblemáticas de Cabo Verde, com origens ligadas às confrarias religiosas e às tradições de resistência das comunidades afrodescendentes durante o período colonial.

Ao longo dos séculos, transformou-se num importante símbolo de identidade cultural, preservado sobretudo nas comunidades da ilha de Santiago.

A edição do festival deste ano realizou-se, pela primeira vez, em parceria público-privada com a produtora Harmonia, com o objectivo de reforçar a qualidade da produção e impulsionar a internacionalização do festival.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
16 dias atrás

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jcf
18 dias atrás

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joão do rosário
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