sábado, 24 outubro 2026

Trinta por cento dos imigrantes em Cabo Verde sentem-se discriminados apesar de ausência de denuncia

 

Os imigrantes dos países da CPLP (como Angola, São Tomé e Príncipe e Moçambique) não têm um sentimento de discriminação elevado, mas os que vêm da Guiné-Bissau, Senegal e Nigéria são os que mais relatam experiências negativas”, afirmou.

 

 

Em declarações à Inforpress, a propósito do Dia Mundial da Luta contra a Discriminação Racial, que se assinala este sábado, 21, Carmen Barros avançou que dados de um inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE) de 2022 indicam que o sentimento de exclusão atinge três em cada dez imigrantes no arquipélago.

Segundo a responsável, este sentimento é mais acentuado entre as comunidades provenientes do continente africano, nomeadamente da costa ocidental, que apresentam relatos de experiências negativas superiores aos dos imigrantes de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Os imigrantes dos países da CPLP (como Angola, São Tomé e Príncipe e Moçambique) não têm um sentimento de discriminação elevado, mas os que vêm da Guiné-Bissau, Senegal e Nigéria são os que mais relatam experiências negativas”, afirmou.

A Alta Autoridade para a Imigração sublinhou ainda que a comunidade chinesa também sinaliza este sentimento, embora, neste caso, o principal entrave seja a barreira linguística.

Segundo a mesma fonte, Carmen Barros considerou o dado “um alerta”, apontando para um paradoxo: embora o sentimento de discriminação seja real e impacte a integração e fixação dos estrangeiros no País, as vozes raramente chegam às esquadras ou aos balcões de atendimento oficial.

“Desconheço denúncias efectivas, o que nos obriga a refletir sobre os mecanismos de queixa existentes e sobre como divulgá-los”, explica a fonte, sublinhando que o “sentimento de discriminação” é subjetivo, mas tem um impacto real, visto que quem se sente mais discriminado apresenta também menores níveis de integração e fixação no país.

Carmem Barros asseverou que a Alta Autoridade tem trabalhado na prevenção, informação e sensibilização, admitindo a necessidade de se reflectir sobre os mecanismos existentes e a sua divulgação no que respeita a queixas ou informações sobre a discriminação.

O foco actual, segundo disse, centra-se no trabalho com as escolas e em campanhas de mudança de mentalidade, reconhecendo que a luta contra o racismo é um processo contínuo de desconstrução de preconceitos.

De acordo com os dados oficiais, a Guiné-Bissau, o Senegal, Portugal, a Nigéria e a China são as cinco nacionalidades mais expressivas no arquipélago.

Embora os últimos dados oficiais de 2021 apontem para uma população estrangeira de cerca de 2,2%, a procura crescente pelos postos de atendimento da AAI desde o início de 2024 sugere um aumento significativo do fluxo migratório.

O Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, instituído pelas Nações Unidas em 1966.

Segundo ainda a Inforpress, a data recorda o massacre de 1960 em Sharpeville, na África do Sul, onde a polícia abriu fogo e matou 69 pessoas numa manifestação pacífica contra as "leis do passe" do regime do apartheid.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
16 dias atrás

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jcf
18 dias atrás

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joão do rosário
20 dias atrás

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