domingo, 25 outubro 2026

Presidente do Irã diz que país não buscará arma nuclear por veto do guia supremo

Em declaração nesta quinta, o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que as discussões vão se concentrar "exclusivamente" na questão nuclear e poderão ter a participação do chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. “O tema das negociações está centrado na questão nuclear”, disse. Segundo ele, Teerã defenderá o levantamento das sanções impostas ao país e reafirmará o direito do Irã “ao uso pacífico da energia nuclear”.

O objetivo das negociações desta quinta-feira, disse Pezeshkian, é sair de um meio‑termo entre “a guerra e a paz” com os Estados Unidos. “Se os EUA nos atacarem, outros conduzirão o país. Se permanecermos unidos e unirmos nossas forças, nenhuma potência poderá nos deter”, ameaçou.

Antes da retomada das discussões em Genebra, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acusou Teerã de se recusar a discutir seu programa de mísseis balísticos.

Os Estados Unidos são representados pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro do presidente americano, Jared Kushner. Irã e Estados Unidos retomaram o diálogo no início de fevereiro em Omã, país mediador, e depois se encontraram pela primeira vez na Suíça no dia 17.

Em declaração nesta quinta, o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que as discussões vão se concentrar "exclusivamente" na questão nuclear e poderão ter a participação do chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. “O tema das negociações está centrado na questão nuclear”, disse. Segundo ele, Teerã defenderá o levantamento das sanções impostas ao país e reafirmará o direito do Irã “ao uso pacífico da energia nuclear”.

Desde janeiro, o Irã e os EUA afirmam estar abertos ao diálogo, mas trocam ameaças militares. O presidente americano Donald Trump, que enviou ao Golfo um dispositivo militar massivo, vem repetindo que prefere uma solução diplomática, mas acusou Teerã na terça-feira de ter “sinistras ambições nucleares”. O Irã desenvolveu “mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases militares” e busca projetar armas ainda mais poderosas, capazes de “alcançar os Estados Unidos em breve”, afirmou.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã refutou as acusações, lembrando que o país limita o alcance de seus mísseis a 2.000 km. O Irã possui um amplo arsenal de equipamentos produzidos localmente, incluindo os Shahab‑3, que podem alcançar Israel e alguns países da Europa Oriental. A questão está no centro do debate entre os dois países, já que Washington insiste em incluir o programa de mísseis balísticos nas negociações. Os EUA também esperam discutir o apoio de Teerã a grupos armados hostis a Israel.

“O presidente deseja soluções diplomáticas”, reiterou Rubio. De acordo com o secretário de Estado americano, a expectativa é que as reuniões desta quinta sejam produtivas. “Mas teremos de falar sobre outros assuntos além do programa nuclear”, insistiu o secretário de Estado americano durante uma coletiva de imprensa.

 

Vice americano alega “evidências”

O vice‑presidente americano, JD Vance, afirmou que Washington tem “evidências” de que o Irã está tentando reconstruir um programa nuclear que poderia levar à fabricação de uma arma atômica. “O princípio é muito simples: o Irã não pode ter uma arma nuclear. Se eles tentarem reconstruí‑la, isso causa problemas para nós”, declarou Vance. O vice-presidente americano destacou que, embora o presidente Donald Trump prefira resolver a crise “diplomaticamente”, o governo americano se mantém preparado para “outras opções”.

Apesar das divergências, o Irã afirma que um acordo está próximo, segundo o chefe da diplomacia Abbas Araghchi, que lidera a delegação nas negociações, citando uma “oportunidade histórica”. De acordo com ele, “o sucesso das negociações depende da seriedade da outra parte e de sua capacidade de evitar comportamentos e posições contraditórias”, destacou Araghchi em um comunicado divulgado na madrugada de quinta.

 

EUA não descartam ataque

Em 2025, já havia ocorrido um ciclo de negociações após a guerra desencadeada por Israel contra o Irã. Na ocasião, Washington bombardeou áreas nucleares no país, e Donald Trump afirmou ter “destruído” o programa nuclear iraniano.

As novas tensões entre Washington e Teerã surgiram após a repressão, em janeiro, de um amplo movimento de contestação no Irã. Donald Trump havia então prometido “ajudar” o povo iraniano. A hipótese de um ataque americano contra o Irã não está descartada.

Em Israel, o nível de alerta permanece o mesmo há vários dias. Na terça‑feira, 12 aviões de combate americanos F‑22, os Raptor, aterrissaram no país. O posicionamento estratégico de aviões e navios de guerra dos Estados Unidos na região mostra que Washington e Israel se preparam para todos os cenários, segundo Raz Zimmt, especialista do Irã no Instituto de Estudos de Segurança Nacional em Tel Aviv.

“Isso visa evidentemente encorajar o Irã a fazer concessões. Mas o principal objetivo é dar flexibilidade suficiente ao presidente Trump para que ele possa tomar qualquer decisão, seja um ataque limitado ou uma ofensiva muito mais ampla.”

Israel teme um acordo às pressas entre EUA e Irã que não encerre o programa nuclear e que deixe intactas as capacidades iranianas de mísseis balísticos. Para analistas da região, o risco de uma escalada regional não pode ser descartado.

A Semana com RFI África

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Comentários

joão do rosário
18 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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