domingo, 25 outubro 2026

Pedro Pires defende preservação da verdade histórica no lançamento de “De Guerrilheiro a Homem de Estado”

 

Ao longo da sua intervenção, Pedro Pires destacou a diferença entre libertação nacional e descolonização, considerando que a primeira constitui uma iniciativa intrínseca do povo colonizado, enquanto a segunda pode representar “uma doação armadilhada do ex-colonizador”.“O processo emancipatório libertador era regenerador, transporta em si uma atitude de autonomia e de dignidade”, declarou, acrescentando que a luta armada foi também um acto de cultura, capaz de transformar mentalidades e despertar consciência patriótica.

 

Na cerimónia de lançamento do seu livro “De Guerrilheiro a Homem de Estado” que acontececeu na quinta-feira, promovida pelo Instituto Pedro Pires para Liderança, o comandante explicou que a escolha da data simboliza “um apelo à verdade” e um convite à valorização do passado, à consolidação do presente e à preparação responsável do futuro.

“Venho insistindo na necessidade de se procurar descobrir e preservar a verdade histórica”, afirmou, sublinhando que a ideologia colonial negava história aos povos colonizados e procurava subtrair-lhes a iniciativa histórica.

Ao longo da sua intervenção, Pedro Pires destacou a diferença entre libertação nacional e descolonização, considerando que a primeira constitui uma iniciativa intrínseca do povo colonizado, enquanto a segunda pode representar “uma doação armadilhada do ex-colonizador”.

“O processo emancipatório libertador era regenerador, transporta em si uma atitude de autonomia e de dignidade”, declarou, acrescentando que a luta armada foi também um acto de cultura, capaz de transformar mentalidades e despertar consciência patriótica.

O antigo chefe de Estado evocou ainda o papel determinante do PAIGC e do seu secretário-geral, Amílcar Cabral, classificando-os como protagonistas insubstituíveis do processo libertador e da construção das bases do Estado soberano.

Pedro Pires defendeu que os Estados nascidos da libertação nacional não devem ser entendidos como continuidade do Estado colonial, mas como uma ruptura política, cultural e institucional com o modelo opressor anterior.

“Não se podia manter a sociedade colonizada inalterada como se nada houvesse acontecido”, afirmou, defendendo reformas profundas, democratização do acesso à educação, à justiça e à saúde, bem como a mobilização da vontade nacional como condição essencial para garantir a viabilidade do novo Estado.

Referindo-se ao contexto de Cabo Verde após a independência, em 1975, salientou que o jovem Estado enfrentava riscos de inviabilidade, exigindo liderança patriótica, centralização estratégica de recursos e escolhas políticas criteriosas.

Segundo o comandante, países recém-independentes e pobres em recursos necessitam de “Estados fortes, reformadores e eficientes”, capazes de unir a nação, mobilizar energias sociais e lançar bases materiais e morais para o futuro.

No final, Pedro Pires prestou homenagem às suas origens cabo-verdianas e ao povo da Guiné-Bissau, que o acolheu como combatente e dirigente político, estendendo gratidão à sua família, aos seus camaradas de luta e reafirmando que as conquistas da libertação resultaram de um esforço coletivo e partilhado.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
18 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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joão do rosário
21 dias atrás

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