domingo, 25 outubro 2026

Enviado Especial da União Africana chega a Bissau nesta quinta-feira

 O antigo chefe do governo são-tomense foi nomeado no passado dia 23 de Janeiro enviado especial da União Africana pelo presidente da comissão, Mahmoud Ali Youssouf, com o objectivo de apoiar os esforços da organização para restabelecer a ordem constitucional na Guiné-Bissau.

“A visita insere-se no quadro das consultas em curso com as autoridades nacionais”, refere em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau ao esclarecer que Patrice Trovoada vai manter encontros de trabalho “com altas entidades do Estado”, designadamente com o primeiro-ministro do Governo de transição, Ilídio Vieira Té, às 11 horas, mas também “com figuras da vida pública nacional”.

“Toda a gente concorda que há ainda muito trabalho a fazer”, considerou o responsável político ainda antes desta visita. “Dialogando e associando todos, nomeadamente os guineenses, ouvindo os guineenses, também olhando o que foi o passado, as várias tentativas, os vários modelos, os acontecimentos”, é possível avançar para uma saída de crise, acrescentou ainda Patrice Trovoada.

O antigo chefe do governo são-tomense foi nomeado no passado dia 23 de Janeiro enviado especial da União Africana pelo presidente da comissão, Mahmoud Ali Youssouf, com o objectivo de apoiar os esforços da organização para restabelecer a ordem constitucional na Guiné-Bissau.

Mahmoud Ali Youssouf destacou que “as qualidades profissionais e pessoais” de Patrice Trovoada lhe dão “a confiança de que vai exercer o seu mandato eficazmente”.

Em São Tomé e Príncipe, o Presidente Carlos Vila Nova que tem sido um dos grandes críticos sobre a situação actualmente vivenciada na Guiné-Bissau, esclareceu que o seu país não foi consultado quanto à escolha de Patrice Trovoada como enviado especial da UA para a Guiné-Bissau, mas declarou que gostaria que o objectivo desta nomeação fosse “fortalecer o processo de paz” naquele país.

A participação da Guiné-Bissau nas actividades da UA, CEDEAO e CPLP foi suspensa após a desestabilização de 26 de Novembro de 2025, quando os militares tomaram o poder e foi interrompido o processo eleitoral então em curso para a escolha do novo Presidente da República e dos deputados da Assembleia Nacional Popular.

O país tem sido governado, desde então, por um Alto-Comando Militar, que estabeleceu um período de transição de um ano e nomeou o general Horta Inta-A Presidente da República a título interino.

O Conselho Nacional de Transição que passou a substituir o Parlamento, adoptou uma revisão constitucional que atribui mais poderes ao Presidente da República.

O novo poder também marcou novas eleições gerais para o dia 6 de Dezembro.

Apesar de estas decisões serem consideradas sem valor legal pelos sectores da oposição e apesar de apelos feitos pelas organizações internacionais de que a Guiné-Bissau faz parte, no sentido de se regressar à normalidade constitucional e de se instituir um período de transição curto, não se constatou nenhuma mudança concreta na linha seguida pelos militares no poder.

A única excepção tangível foi a recente libertação dos responsáveis políticos que tinham sido presos na altura do golpe.

Esta situação tem tido reflexos negativos nas relações entre a Guiné-Bissau e os seus parceiros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Esta semana, o poder guineense acusou os Presidentes de Cabo Verde e de Angola de "hipocrisia", depois de estes últimos terem criticado a situação da Guiné-Bissau nestes últimos dias na cimeira da União Africana em Addis Abeba.

Na semana passada, Timor-Leste que actualmente assegura a presidência rotativa da CPLP, cancelou uma missão de bons ofícios que pretendia enviar à Guiné-Bissau a partir desta terça-feira até ao dia 21 de Fevereiro, depois da polémica levantada por declarações proferidas pelo chefe do governo timorense que qualificou a Guiné-Bissau de "Estado falhado".

Depois do poder guineense manifestar o seu desagrado, nesta segunda-feira Xanana Gusmão pediu "desculpa" ao governo de transição da Guiné-Bissau, mas confirmou que a missão de bons ofícios da CPLP foi efectivamente cancelada.

A Semana com RFI/Lusa

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Comentários

joão do rosário
18 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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joão do rosário
22 dias atrás

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