sábado, 24 outubro 2026

Cimeira da UA: "Tolerância zero" a golpes de Estado

 

Durante esta cimeira, a UA lançou também o tema que escolheu como central para 2026: "Assegurar a disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objetivos da Agenda 2063".A África enfrenta uma profunda crise de água e saneamento, com mais de 400 milhões de pessoas sem acesso a água potável básica e mais de 700 milhões sem saneamento gerido de forma segura, contextualiza a UA.

 

Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana (UA), destacou, na sessão de encerramento da cimeira, que estas foram posições "claramente assumidas", na Assembleia da UA, órgão supremo, composto pelos chefes de Estado e de Governo dos países membros, que se reúne anualmente em cimeira para definir políticas, prioridades e estratégias continentais.

Ao longo de dois dias de trabalhos, a situação na Guiné-Bissau, suspensa da UA após golpe de estado militar de novembro de 2025 foi várias vezes referidos, com apelos ao regresso da ordem institucional.

Trabalhar para a paz e segurança no continente, "silenciar as armas" foi também sublinhado na conferência de imprensa de encerramento do evento pelo Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, que nesta cimeira assumiu a presidência rotativa, sucedendo a Angola, prometendo ter como foco em paz, estabilidade e desenvolvimento industrial. 

Évariste Ndayishimiye referiu-se em particular ao conflito na República Democrática do Congo (RDC) e ao terrorismo na região do Sahel.

"Há um acordo para cessar (na RDC) que está assinado, foi assinado pelas partes, então é preciso cumpri-lo", afirmou, alertando que pô-lo em ação implica também que as forças estrangeiras regressem aos seus países, numa referência ao Ruanda, que apoia os combatentes do movimento M23 no conflito contra as forças armadas do país, e "que nenhuma das partes retome os combates".

 
Acesso a água e Sahel na agenda

Sobre o Sahel, o novo Presidente da União Africana qualificou a situação como "complexa" ainda mais porque o terrorismo na região se propaga a outros países, salientou, e por isso precisa da atenção e ajuda da organização e dos seus países-membros.

Durante esta cimeira, a UA lançou também o tema que escolheu como central para 2026: "Assegurar a disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objetivos da Agenda 2063".

A África enfrenta uma profunda crise de água e saneamento, com mais de 400 milhões de pessoas sem acesso a água potável básica e mais de 700 milhões sem saneamento gerido de forma segura, contextualiza a UA.

A este propósito, no decorrer dos trabalhos desta 39.ª cimeira, a presidência cessante da União Africana, exercida pelo Presidente de Angola, João Lourenço, defendeu investimentos significativos que tragam resultados no setor da água e saneamento, para garantir aos africanos o "acesso universal e equitativo" a estes serviços. 

Antes, no balanço do mandato de um ano, João Lourenço disse que procurou reforçar o papel da UA como plataforma de concertação política e de ação concreta, promovendo maior articulação entre os Estados-membros e as comunidades económicas regionais, o fortalecimento da abordagem preventiva face aos impactos das alterações climáticas e a mobilização de parcerias estratégicas para o financiamento de infraestruturas resilientes.

Chefes de Estado e de Governo de cerca de 40 países participaram na cimeira da UA, realizada sábado e hoje na capital etíope, para abordar temas como a paz e segurança, a integração económica ou a crise climática, sob a sombra dos múltiplos conflitos que afetam países como o Sudão ou a República Democrática do Congo (RDC).

Além dos líderes africanos, estiveram presentes na sessão de abertura o secretário-geral da ONU, António Guterres, e os primeiros-ministros de Itália, Giorgia Meloni, que falou como convidada de honra, e da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mohammad Mustafa.

 

A Semana com DW África

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
18 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
20 dias atrás

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