sábado, 24 outubro 2026

Trovoada na Guiné-Bissau: Escolha da UA gera polémica

 

Pedro Jandi, do PAIGC, aponta igualmente para essa alegação de proximidade entre Trovoada e Sissoco Embaló, ex-Presidente guineense e acusado de ser o orquestrador do caos na Guiné-Bissau. Por isso, o político apela aos representantes legítimos do povo que reajam à nomeação."Está claro que há aí um conluio entre ambos para continuar a sufocar a Guiné-Bissau. E isso não vamos aceitar", garante.

 

Muitos guineenses torceram o nariz à indicação de Patrice Trovoada como enviado especial da União Africana (UA) para a crise política na Guiné-Bissau.

O presidente da comissão política do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) na Alemanha, Pedro Jandi, confessa que não estava à espera e acha incompreensível a indicação. "Deveria ser uma pessoa experimentada e com provas dadas a mediar a situação da Guiné-Bissau", comenta em declarações à DW.

Para Jandi, Trovoada "não fez um bom trabalho" como primeiro-ministro em São Tomé e Príncipe. Portanto, "como seria capaz de servir outro país?"

A nomeação foi um balde de água fria também para analistas políticos em São Tomé. "É verdade que, à primeira vista, deveria ser algo que poderia nos orgulhar. Afinal, não é todo o dia que temos um são-tomense a ter tamanha missão", comenta Arzemiro dos Prazeres.

Mas, "infelizmente, essa nomeação está envolvida numa série de problemas", acrescenta.

Por um lado, "há uma certa rejeição em São Tomé e Príncipe, porque não conseguimos compreender como alguém que está a promover quase um caos no país [e] a provocar a disfuncionalidade da Assembleia, vai mediar algo de tamanha importância". Por outro lado, continua o analista, há também críticas à suposta "amizade" de Trovoada "com o outro lado da contenda".

PAIGC: "Não podemos aceitar"

Pedro Jandi, do PAIGC, aponta igualmente para essa alegação de proximidade entre Trovoada e Sissoco Embaló, ex-Presidente guineense e acusado de ser o orquestrador do caos na Guiné-Bissau. Por isso, o político apela aos representantes legítimos do povo que reajam à nomeação.

"Está claro que há aí um conluio entre ambos para continuar a sufocar a Guiné-Bissau. E isso não vamos aceitar", garante.

Jandi argumenta: "Não podemos ser impingidos alguém que venha pura e simplesmente cumprir a agenda de alguém que se autogolpeou. Portanto, não podemos aceitar".

Patrice Trovoada tem visto o seu nome associado a váriosescândalos financeiros, incluindo supostos desvios de fundos, lavagem de dinheiro e má gestão de verbas, como no âmbito da pandemia da Covid-19.

O analista Arzemiro dos Prazeres reconhece que o político não goza "de bom nome", mas "enquanto não for provado e transitado em julgado há presunção de inocência".

Jogaria a favor de Trovoada como enviado especial da União Africana para a Guiné-Bissau a forte aceitação política e a experiência enquanto governante.

Arzemiro dos Prazeres destaca parcialmente o seu capital político: "É alguém que tem politicamente uma parte do eleitorado, sem dúvida nenhuma, mais ou menos 25% a 30% dos eleitores. Há gente que vota no Patrice Trovoada, haja chuva ou haja sol. Mas é uma figura que tem rejeição política, já foi primeiro-ministro quatro vezes e há muito pouca herança do que tenha feito".

Papel de Trovoada como mediador "esvaziado"

É com base nesse legado que Jandi não vê Trovoada a "fazer algo diferente", ao contrário do que aconteceu com a missão eleitoral da União Africana, liderada pelo ex-Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, em que afirma ter sido surpreendido pela positiva.

"De Filipe Nyusi esperou-se tudo menos aquilo que ele nos trouxe. Nyusi, logo após as eleições, confirmou claramente que as eleições foram livres, transparentes e justas e ao mesmo tempo houve um vencedor", lembra. 

Mas face aos últimos desenvolvimentos na Guiné-Bissau, com a libertação de presos políticos, o papel de mediador atribuído a Trovoada "já está esvaziado", refere o analista são-tomense Arzemiro dos Prazeres.

"A CEDEAO já promoveu uma série de atitudes que praticamente esvaziaram qualquer tipo de mediação. Domingos Simões Pereira já está em casa, nas condições em que sabemos [de prisão domiciliar], Geraldo Martins a mesma coisa".

"Há uma série de atitudes tomadas pela CEDEAO que tornaram o clima mais leve neste momento [...] Ele [Patrice Trovoada] tem agora uma oportunidade de dar uma volta atrás e recusar", defende. 

 

A Semana com DW África

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

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jcf
18 dias atrás

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joão do rosário
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