sábado, 24 outubro 2026

Família de opositor Domingos Simões Pereira denuncia vigilância armada em casa

A família de Simões Pereira, de 62 anos, afirma que a resolução da cimeira da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), de 14 de dezembro passado, determinou a proteção dos líderes políticos e exigiu a libertação imediata e incondicional dos detidos.

 

A medida teria sido adotada por polícias e militares que mantêm Simões Pereira sob prisão domiciliária desde a última sexta-feira, quando saiu das celas da Segunda Esquadra, onde esteve detido por mais de 60 dias.

A denúncia da família do político, que é igualmente presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), está num comunicado hoje divulgado e enviado à agência Lusa.

“A transferência para a residência não representa uma restituição efetiva de liberdade, pois permanece sob vigilância armada permanente e com restrições à circulação de toda a família”, lê-se no comunicado.

A família de Simões Pereira, de 62 anos, afirma que a resolução da cimeira da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), de 14 de dezembro passado, determinou a proteção dos líderes políticos e exigiu a libertação imediata e incondicional dos detidos.

Simões Pereira foi detido no dia 26 de novembro na sequência de um golpe de Estado protagonizado por militares, em vésperas da publicação dos resultados provisórios de eleições legislativas e presidenciais de 23 de Novembro.

Para a família do político, não se pode falar em libertação, detenção ou prisão domiciliária porque “nunca houve” processo judicial que justificasse aquelas medidas.

“É particularmente alarmante que os mesmos responsáveis pelo sequestro sejam agora apresentados como seus protetores, levantando sérias preocupações quanto à garantia da sua integridade física e psicológica”, assinala-se ainda no comunicado.

Também em comunicado, consultado pela Lusa na sua página nas redes sociais, a Liga Guineense dos Direitos Humanos manifestou-se preocupada com a manutenção de Domingos Simões Pereira em regime de prisão domiciliária.

Para a Liga, a prisão domiciliária “carece de cobertura legal” no ordenamento jurídico processual penal da Guiné-Bissau, o que, defende, nunca ocorreu, tendo em conta que Simões Pereira não foi apresentado a nenhum elemento da justiça dentro dos prazos previstos na lei.

*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***

Inforpress/Lusa/Fim

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
18 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
21 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport