domingo, 25 outubro 2026

Guiné-Bissau: Simões Pereira libertado e sob vigilância domiciliária

Numa transmissão em direto numa rede social, um familiar que se encontrava na residência, mostrou o momento em que Simões Pereira dava entrada no imóvel, acompanhado do ministro senegalês.Uma pequena multidão de pessoas, vizinhas da sua residência, saudaram com "viva DSP" (Domingos Simões Pereira) o momento em que desceu da viatura para entrar em casa.Já dentro, sorridente, visivelmente magro e de barba branca, Pereira era visto a abraçar as pessoas, às quais pedia para que não chorassem.

 
O opositor guineense, Domingos Simões Pereira que se encontrava detido há mais de 60 dias por militares, já se encontra na sua residência em Bissau, disseram à Lusa fontes familiares do político.

De acordo com as mesmas fontes, Simões Pereira foi conduzido da Segunda Esquadra de Bissau para a sua residência no bairro de Luanda, nos arredores da capital guineense, pelo ministro da Defesa do Senegal, general Birame Diop.

Domingos Simões Pereira encontra-se no interior da residência numa conversa com o governante senegalês, enviado especial do Presidente daquele país, Bassirou Diomaye Faye, acrescentaram as mesmas fontes.

 O Presidente do Senegal faz parte de um grupo de chefes de Estado encarregados pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) para acompanhar e encontrar soluções para a crise política pós-eleitoral na Guiné-Bissau.

Mediação do Senegal

O ministro da Defesa do Senegal se encontra em Bissau desde quinta-feira e hoje acompanhou pessoalmente a saída de Domingos Simões Pereira da prisão da Segunda Esquadra para a sua residência onde, segundo uma fonte do governo de transição, vai permanecer vigiado por militares.

As mesmas fontes informaram à Lusa que a polícia e os militares não estão a permitir o acesso de pessoas à rua que vai dar à residência privada de Simões Pereira.

"Apenas estão na residência as pessoas que já lá se encontravam antes", precisou um familiar que disse ter tentado "por várias formas" visitar o tio.

Guiné-Bissau Bissau 2025 | Tomada de posse do General Horta Inta-a como líder de transição
No passado dia 26 de novembro de 2025, os militares protagonizaram um golpe de Estado no país em vésperas do anúncio provisório dos resultados das eleições legislativas e presidenciaisFoto: Patrick Meinhardt/AFP

Numa transmissão em direto numa rede social, um familiar que se encontrava na residência, mostrou o momento em que Simões Pereira dava entrada no imóvel, acompanhado do ministro senegalês.

Uma pequena multidão de pessoas, vizinhas da sua residência, saudaram com "viva DSP" (Domingos Simões Pereira) o momento em que desceu da viatura para entrar em casa.

Já dentro, sorridente, visivelmente magro e de barba branca, Pereira era visto a abraçar as pessoas, às quais pedia para que não chorassem.

Em declarações para os presentes na sala de Domingos Simões Pereira, o ministro da Defesa do Senegal saudou a "boa vontade do Presidente de transição, general Horta Inta-a" e apelou aos guineenses para "abrir uma nova página" do diálogo.

O governante senegalês disse que os guineenses devem preparar-se para as eleições legislativas e presidenciais, marcadas pelos militares, para 06 de dezembro próximo.

O general Birame Diop afirmou que estava a sair da residência de Simões Pereira para tratar da saída de Fernando Dias da Costa das instalações da embaixada da Nigéria para a sua casa.

 

Fernando da Costa, que reclama ter sido o vencedor das eleições presidenciais de 23 de novembro, encontra-se exilado na embaixada da Nigéria na sequência do golpe de Estado.

A 26 de novembro de 2025, os militares tomaram o poder, depuseram o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, e o processo eleitoral foi interrompido sem a divulgação dos resultados oficiais.

Vários opositores políticos do regime de Sissoco Embaló foram detidos, entre eles o principal líder da oposição, Domingos Simões Pereira. 

Simões Pereira e o histórico partido PAIGC foram afastados das eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta. 

Nos dois meses no poder, os militares alteraram a Constituição da Guiné-Bissau, atribuindo mais poderes ao Presidente da República, e marcaram novas eleições gerais para 06 de dezembro.

Nesta sexta-feira, um grupo de dirigentes e militantes do PAIGC defendeu que o líder, Simões Pereira, não pode dirigir o partido em prisão domiciliária, e pediu uma direção de transição até ao congresso que deverá ocorrer em novembro para escolher novo líder. 

A Semana com DW África/Lusa. Foto principal: O Democrata

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Comentários

joão do rosário
18 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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joão do rosário
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