sábado, 24 outubro 2026

Investigadoras Cabo-verdianas investigam diagnóstico do cancro e uso de antibióticos com apoio da Gulbenkian

 

Pamela Borges explicou ainda que o estudo pretende analisar a possível influência do vírus da imunodeficiência humana (VIH) no aparecimento do cancro do sangue, tendo em conta evidências já conhecidas. A nível do diagnóstico, prevê a introdução de testes moleculares e citometria de fluxo, atualmente inexistentes no país, o que poderá reduzir o tempo de resposta e evitar o envio de amostras para o exterior.

 

 

Um dos projetos visa "criar um programa integrado para todas as doenças do sangue" e "perceber qual é o padrão epidemiológico do cancro, mais especificamente das leucemias e dos linfomas em Cabo Verde", analisando os sintomas, a evolução e as características biológicas em adultos e crianças, disse à Lusa a investigadora Pamela Borges.

O projeto, com duração de três anos, vai ser implementado naquela que é a principal unidade de saúde do país e deverá arrancar ainda este ano, após a formalização do financiamento.

Além do conhecimento científico, prevê-se a introdução progressiva de técnicas laboratoriais que ajudem a identificar subtipos de leucemias e linfomas e a orientar tratamentos mais personalizados na capital cabo-verdiana.

Pamela Borges explicou ainda que o estudo pretende analisar a possível influência do vírus da imunodeficiência humana (VIH) no aparecimento do cancro do sangue, tendo em conta evidências já conhecidas.

A nível do diagnóstico, prevê a introdução de testes moleculares e citometria de fluxo, atualmente inexistentes no país, o que poderá reduzir o tempo de resposta e evitar o envio de amostras para o exterior.

"A partir do momento que todo o equipamento e todas as condições estiverem implementadas, obviamente que reduzirá bastante o tempo do diagnóstico", disse.

A investigadora sublinhou que o projeto inclui também a capacitação de profissionais nacionais, em parceria com o Instituto Português de Oncologia, garantindo condições técnicas e humanas para a continuidade do trabalho após o período de financiamento.

Outro projeto é liderado pela investigadora Isabel Araújo e centra-se na promoção do uso racional de antibióticos em crianças, num contexto em que a "resistência antimicrobiana é considerada uma das maiores ameaças à saúde pública".

O projeto deverá arrancar em março e incide em infeções respiratórias agudas em crianças, frequentemente tratadas com antibióticos apesar de serem maioritariamente de origem viral.

"Nós já temos estudos que mostram a prevalência de agentes microbianos resistentes a antibióticos a circular na nossa população, o que mostra a necessidade de repensarmos tanto a prescrição como a forma de tratamento dessas infeções bacterianas", disse à Lusa.

Segundo a investigadora, o projeto pretende fornecer instrumentos de apoio ao diagnóstico clínico e reforçar a formação dos profissionais de saúde, inicialmente na cidade da Praia e na ilha de Santiago, com perspetivas de alargamento a outras ilhas.

Os dois projetos foram selecionados no âmbito do concurso +Investigação, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian e destinado a investigadores dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

No total, foram escolhidos cinco projetos, em Cabo Verde e em Moçambique, que vão receber um financiamento global de 900 mil euros para investigação clínica em áreas como infeções bacterianas, resistência aos antibióticos, diagnóstico de doenças hematológicas graves e insuficiência cardíaca precoce.

 

A Semana com RTP/Lusa

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

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jcf
18 dias atrás

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