sábado, 24 outubro 2026

Venezuela: Impera na capital “um sentimento de confusão e expectativa”

 

Os Estados Unidos não realizavam uma intervenção directa deste tipo na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989, destinada a depor o líder militar Manuel Noriega.

Na manhã deste sábado, através das redes sociais, Donald Trump confirmou que o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado e retirado à força do país, na sequência do ataque norte-americano, encontrando-se, juntamente com a sua mulher, a bordo de um navio de guerra norte-americano para ser julgado em Nova Iorque.

Em entrevista à RFI, Marcos Jardim, jornalista luso-descendente radicado na Venezuela, relatou que várias explosões ocorreram na cidade de Caracas, especialmente em instalações militares como La Carlota e o Forte Tiuna.

“A Venezuela, sobretudo a cidade de Caracas, foi bombardeada em vários espaços militares das Forças Armadas venezuelanas, incluindo La Carlota e o Fuerte Tiuna, bem como noutros pontos da cidade. O Estado venezuelano confirmou que se tratou de ataques dos Estados Unidos, situação confirmada pelo Presidente Donald Trump, que avançou que Nicolás Maduro e a sua esposa foram capturados e retirados do país”, disse.

 
O jornalista acrescentou que, nas primeiras horas deste sábado, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que se encontra actualmente na Rússia, afirmou desconhecer o paradeiro do líder do país sul-americano e exigiu uma prova de vida.

 

A Venezuela solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, declarou o estado de emergência nacional e denunciou uma “agressão militar” dos Estados Unidos, após múltiplas explosões registadas na capital, Caracas, e noutras regiões do país.

Marcos Jardim refere que se instalou na capital “um sentimento de muita confusão e expectativa” quanto ao que poderá acontecer nas próximas horas.

“A tensão política neste país mantém-se desde as eleições de há dois anos e, neste momento, agrava-se com vários meses de tensão com os Estados Unidos. Para muitos, custa acreditar que esta situação esteja a acontecer na Venezuela. Predomina, portanto, um sentimento de confusão e de expectativa quanto ao que poderá acontecer nas próximas horas”, afirmou.

O líder venezuelano tem sustentado que os Estados Unidos pretendem assumir o controlo das reservas de petróleo do país, as maiores do mundo, enquanto Washington acusa Nicolás Maduro de comandar um “narco-Estado” e de fraude eleitoral. Marcos Jardim reconhece que “a Venezuela é um país estratégico”, sublinhando ainda que “Donald Trump pretende retomar a Doutrina Monroe e os Estados Unidos não querem governos alinhados contra os seus interesses”.

O vice-secretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, garantiu que o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, capturado pelas forças especiais norte-americanas na madrugada de sábado, “enfrentará finalmente a justiça pelos seus crimes”. Os Estados Unidos já vieram, entretanto, descartar um novo ataque contra a Venezuela.

O jornalista luso-descendente acredita que, nos próximos dias, possa haver “uma negociação entre a administração norte-americana e sectores do chavismo sobre a possibilidade de manutenção do poder, uma transição ou outra solução”.

 

Ataque gera reacções contraditórias

O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela está a gerar reacções contraditórias no continente americano, com o Chile a condenar a agressão e Porto Rico a apoiar a iniciativa de Washington. O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, denunciando “uma afronta gravíssima” à soberania do país sul-americano.

Entretanto, a União Europeia apelou à “contenção” e ao respeito pelo Direito Internacional, reiterando, porém, a falta de legitimidade de Nicolás Maduro. O Governo espanhol ofereceu-se para mediar a crise entre a Venezuela e os Estados Unidos.

Questionado sobre um eventual regresso da opositora e Prémio Nobel da Paz, Maria Corina Machado, ao país, Marcos Jardim recorda que os poderes políticos “continuam maioritariamente nas mãos do Partido Socialista Unido da Venezuela”, acrescentando que “tudo dependerá das negociações que venham a ocorrer dentro da própria administração chavista na Venezuela”.

A Semana com RFI

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

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jcf
18 dias atrás

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joão do rosário
21 dias atrás

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