sábado, 24 outubro 2026

Bissau/crise política: "Havia perigo de uma guerra civil na Guiné-Bissau"- chefe golpista

Em conferência de imprensa transmitida nas redes sociais esta sexta-feira (19.12), o general Horta Inta-A, que é também o Presidente guineense de transição, apresentou pela primeira vez ao país as motivações do golpe de Estado na Guiné-Bissau.

O líder do Alto Comando Militar que tomou o poder no dia 26 de novembro passado, general justificou a ação como medida "para evitar uma guerra civil" no país em decorrência de disputas eleitorais.

"Havia um perigo iminente de uma guerra civil no país. Há divisão na sociedade, em todos os grupos étnicos e nas famílias por causa das eleições", declarou Horta Inta-A, para quem os processos eleitorais, "sempre desembocam em problemas" na Guiné-Bissau.

O general apresentou um conjunto de elementos que na sua opinião produziram conflitos, crises e golpes militares, a partir das eleições ocorridas desde 1994 a esta parte. Horta Inta-A afirmou que os militares "anteciparam um grande problema" que, disse, poderia assolar a Guiné-Bissau, onde, afirmou, seriam os principais vítimas. 

Detenções

Também questionado sobre os motivos da detenção de cerca de 20 dirigentes políticos da oposição - entre os quais Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) - Horta Inta-A defendeu que apenas o tribunal poderá informar quais os crimes cometidos.

"Nós não somos tribunais", observou o general que justificou o golpe de Estado com um alegado perigo iminente de guerra civil no país decorrente das eleições legislativas e presidenciais de 23 de novembro.

O general disse não compreender os insistentes apelos aos militares no sentido de libertarem os políticos detidos em Bissau,quando outros cidadãos guineenses se encontram detidos "há mais tempo".

General Horta N'Tam posa com líderes militares após sua posse
General Horta N'Tam posa com líderes militares após sua posseFoto: Patrick Meinhardt/AFP

Golpe

As eleições gerais, presidenciais e legislativas, tinham decorrido sem incidentes, mas na véspera da divulgação dos resultados oficiais, um tiroteio em Bissau antecedeu a tomada do poder pelo Alto Comando Militar que nomeou o Presidente de transição, o general Horta Inta-A.

O militar anunciou que o período de transição terá a duração máxima de um ano e nomeou como primeiro-ministro e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, antigo ministro de Sissoco Embaló.

Um novo Governo de transição foi, entretanto, empossado com nomes do executivo deposto e cinco militares entre os 23 ministros e cinco secretários de Estado.

A tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.

A candidatura do opositor Fernando Dias da Costa, que reclama vitória nas presidenciais na Guiné-Bissau, exigiu à Comissão Nacional de Eleições (CNE) a convocação da plenária do órgão para que os resultados eleitorais sejam declarados "o mais rápido possível".

Soldados patrulham Bissau após golpe de 26 de novembro
Soldados patrulham Bissau após golpe de 26 de novembroFoto: Luc Gnago/REUTERS

Reação

Em comunicado consultado nas redes sociais, Dias da Costa reagiu ao anúncio feito pela CNE, que se mostrou indisponível para dar continuidade ao processo eleitoral e divulgar os resultados das legislativas e presidenciais, devido a alegados atos de vandalismo nas suas instalações.

Na voz do seu secretário executivo adjunto, o juiz Idriça Djaló, a CNE disse que os alegados atos teriam sido protagonizados por "homens armados e encapuzados" no dia 26 de novembro, véspera do anúncio dos resultados provisórios.

A candidatura de Fernando Dias da Costa, atualmente exilado na embaixada da Nigéria em Bissau, condena o "posicionamento ilegal" do secretariado executivo da CNE, que acusa de "usurpação de competências" da plenária do órgão que deveria, defende, ter sido convocada a pronunciar-se sobre o processo.

Já a delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância. 

Esta sexta-feira, o parlamento cabo-verdiano rejeitou uma proposta do PAICV, maior força da oposição, que condenava o golpe de Estado na Guiné-Bissau, com o partido no poder a opor-se à aprovação do texto.

A Semana com DW África/Lusa

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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joão do rosário
21 dias atrás

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