José Maria Neves defendeu intervenções estruturais, incluindo drenagem de ribeiras, construção de banquetas e diques, arborização e um novo olhar sobre o ordenamento das bacias hidrográficas, para tornar os territórios mais resilientes perante os impactos das mudanças climáticas.
No último dia da sua visita de três dias a Santiago Norte, José Maria Neves, reconheceu a intervenção rápida para acudir às populações afectadas pelas chuvas que provocaram danos, sobretudo em explorações agrícolas e criações de gado.
Segundo o Presidente, a situação se caracteriza por três aspectos principais, em que o primeiro passa pelos prejuízos de grande dimensão suportados por agricultores e criadores, que viram propriedades e produções atingidas pela força das enxurradas.
O segundo ponto refere-se à resposta imediata das câmaras municipais, seguidas pela entrada célere do Governo, que até já colocou equipas técnicas do Ministério da Agricultura e Ambiente a trabalhar directamente no terreno, medindo estragos e recolhendo dados essenciais para orientar o processo de recuperação.
O terceiro aspecto, de acordo com o Chefe do Estado, prende-se com a necessidade urgente de repensar o planeamento do desenvolvimento urbano e rural, tendo em conta a recorrência de fenómenos extremos como secas prolongadas e chuvas intensas.
José Maria Neves defendeu intervenções estruturais, incluindo drenagem de ribeiras, construção de banquetas e diques, arborização e um novo olhar sobre o ordenamento das bacias hidrográficas, para tornar os territórios mais resilientes perante os impactos das mudanças climáticas.
Apesar dos estragos, o Presidente sublinhou que as chuvas também trouxeram “ganhos importantes” para a capacidade de armazenamento hídrico do país.
Três barragens transbordaram – Principal, Flamengos e Figueira Gorda –, enquanto Faveta ficou com uma boa quantidade de água e Poilão encontra-se a cerca de dois metros do limite.
O chefe de Estado destacou que, graças às barragens, a água foi retida e evitou danos maiores, apontando que, se não fosse a de Figueira Gorda, Justino Lopes poderia ter enfrentado um cenário mais grave.
Para além disso, lembrou que o reforço das reservas traz consigo benefícios adicionais, como a dessalinização de poços e o recarregamento dos lençóis freáticos, podendo traduzir-se em disponibilidade acrescida de água nos próximos anos.
José Maria Neves deixou ainda uma mensagem de união e confiança, sublinhando que o povo cabo-verdiano tem experiência acumulada no enfrentamento de longos períodos de seca e cheias intensas muito antes da crise climática se tornar um tema global.
Contudo, afirmou, o país deve reconstruir com maior solidez, apostar em infra-estruturas mais robustas e adaptar-se continuamente aos novos desafios impostos pela evolução climática, garantindo maior protecção das comunidades e zonas agrícolas.
Neste último dia da visita presidencial a Santiago Norte, o programa incluiu deslocações a municípios como São Salvador do Mundo, São Lourenço dos Órgãos e Santa Cruz, com passagem por infra-estruturas estratégicas como as barragens de Faveta, Mato Limão, Jalalo Ramos, Poilão e Figueira Gorda, além de visitas a localidades afectadas, como Ribeira Seca, Ribeirão Almaço, Ribeira dos Picos e Ribeira Cumba.
A Semana com Inforpress

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