domingo, 25 outubro 2026

De caos à reconstrução: a força da comunidade do Tarrafal após tempestades

 

 

“Agora pedimos união da comunidade, do Governo e da câmara para um apoio real aos que realmente necessitam e que não seja só financeiro, mas também emocional e presente,” disse Ineida Rodrigues.

 

As chuvas de 13 de Novembro, que começaram de forma leve e se transformaram em enxurradas violentas no final da tarde, arrastaram viaturas, animais, embarcações e destruíram casas, quintais e plantações, deixando um desaparecido que foi depois encontrado morto e uma comunidade em choque.

Segundo descreve a Inforpress, hoje, entre a esperança e a dor, os habitantes tentam reconstruir suas vidas.

Wilson Pires, pescador da praia do Tarrafal, recorda a força da água que levou consigo até o seu quiosque: “o mar ainda está agitado, houve perdas de botes, mas amanhecemos firmes e fomos à faina. A água levou tudo, mas não leva a esperança”.

Apesar da destruição, vê sinais de positividade na pesca: “houve melhorias e aumento do peixe, isso dá ânimo”.

Para a peixeira Domingas Varela, de Chão Bom, o sentimento é de tristeza profunda: “é aqui nesta praia que ganhamos a vida. Esperamos que os governos façam a sua parte para restaurar a normalidade”.

Mesmo com o coração partido, ela, como muitos outros, voltou ao trabalho, valorizando a vida e a saúde dos familiares acima de tudo, acrescente a Inforpress.

No sector agrícola, Armindo Soares, com a sua propriedade no Fundo Fonton, emocionou-se ao recordar as perdas: “vi todos os meus carneiros ir ribeira abaixo, e tudo o que tinha na agricultura”.

Apesar da dor, começou imediatamente a tentar recuperar o seu campo, consciente das dificuldades para recompor sistemas de irrigação e infraestruturas perdidas.

“Agradeço por termos sobrevivido, mas ver o trabalho de uma vida ir embora é imenso,” afirmou entre lágrimas.

 

Conforme a fonte deste jornal, em várias localidades do Tarrafal, é visível o esforço da câmara municipal na limpeza das vias e na remoção das enxurradas, ajudando especialmente os mais necessitados.

Ineida Rodrigues e outras mulheres de Monte Bode lembram que a coragem e a fé as mantiveram durante a noite da tempestade, e que, mesmo assim, não hesitaram em ajudar vizinhos mais afectados.

“Agora pedimos união da comunidade, do Governo e da câmara para um apoio real aos que realmente necessitam e que não seja só financeiro, mas também emocional e presente,” disse Ineida.

Entre ribeiras, cutelos e comunidades afectadas, há tantas histórias de perdas quanto de esperança.

Cada Wilson, Domingas ou Armindo enfrenta as consequências, mas a determinação de reconstruir e continuar vivendo permanece.

No Tarrafal, como em Santa Cruz, São Miguel e Santa Catarina, a vida lentamente retoma, marcada pelas lembranças da tempestade, mas também pela força da solidariedade e da resiliência humana.

 

 

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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joão do rosário
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