segunda-feira, 26 outubro 2026

Guterres pede à comunidade internacional que "não vire costas a África"

 
“O mundo não pode virar as costas a África, onde vive quase um quinto da humanidade. O que está em causa é demasiado. E o potencial é imenso. Quero agradecer ao presidente Youssouf e aguardo com expectativa uma cooperação ainda mais profunda no futuro”, concluiu o secretário-geral da ONU.
 
 
 
Numa conferência de imprensa em Nova Iorque, ao lado do presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, Guterres indicou três áreas onde é necessária uma ação decisiva no continente africano, incluindo através da aplicação de recursos adequados e previsíveis.

 

“Em primeiro lugar, temos de tornar África numa prioridade. (…) Mas não podemos satisfazer as necessidades de África sem recursos adequados, previsíveis e sustentáveis. Apelo novamente aos Estados-membros para que paguem na totalidade e atempadamente as suas contribuições regulares e para as operações de manutenção da paz”, apelou o líder da ONU.

Guterres frisou que, apesar dos vastos recursos que o continente possui, o progresso continua a ser prejudicado por um sistema financeiro global ultrapassado e injusto.

 

Nesse sentido, voltou a insistir na reforma da arquitetura financeira global, para que esta reflita o mundo atual e sirva melhor as necessidades dos países em desenvolvimento, particularmente em África.

“Isto significa dar aos países em desenvolvimento uma participação mais significativa nas instituições financeiras globais. Triplicar a capacidade de empréstimo dos bancos multilaterais de desenvolvimento e aliviar o peso da dívida com novos instrumentos para reduzir o custo do capital”, explicou.

Além disso, África também precisa de investimentos para garantir que beneficia da revolução da energia limpa.

A energia solar e eólica são atualmente as fontes de energia mais baratas e “nenhum continente tem mais sol ou vento do que África”, assinalou o antigo primeiro-ministro português, lamentando a falta de fundos para o continente investir em energias renováveis à velocidade e à escala necessárias, enquanto os investimentos em energia limpa fluem para os países desenvolvidos.

 

Por último, António Guterres defendeu a necessidade de se investir na paz em África, enumerando uma série de conflitos que assolam o continente, desde as atrocidades em massa no Sudão, passando pelo aumento da insegurança no Sahel até à “crise humanitária de proporções épicas” na República Democrática do Congo.

“O mundo não pode virar as costas a África, onde vive quase um quinto da humanidade. O que está em causa é demasiado. E o potencial é imenso. Quero agradecer ao presidente Youssouf e aguardo com expectativa uma cooperação ainda mais profunda no futuro”, concluiu o secretário-geral.

As declarações de Guterres seguiram-se à 9ª conferência anual ONU-UA, que decorreu esta quarta-feira em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A reunião anual esteve focada no progresso da implementação dos marcos de cooperação entre as duas organizações, assim como na ação conjunta e nos desafios relacionados à paz, segurança, desenvolvimento e direitos humanos.

As discussões incluíram temas como financiamento para o desenvolvimento, ação climática e a implementação da estratégia africana para mulheres, paz e segurança.

 

A Semana com Observador/Lusa

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Comentários

joão do rosário
18 dias atrás

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jcf
20 dias atrás

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