domingo, 25 outubro 2026

PM considera caso da diretora da TCV uma “questão laboral” e pede provas de violação da liberdade de imprensa

Ulisses Correia e Silva reagia assim à suspensão da directora Bernardina Ferreira, que cumpre uma pena disciplinar de 45 dias sem vencimento, apesar de considerar ser um caso que deve ser tratado como uma matéria laboral entre a administração da RTC e a direcção.

A medida, tornada pública na quinta-feira, 30 de Outubro, foi classificada pela Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) como “um ato de represália e de intimidação grave”, na sequência de deliberações da Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC) que confirmaram, segundo a associação, “interferências ilegítimas” do conselho de administração nos conteúdos editoriais da Televisão de Cabo Verde (TCV).

Questionado sobre o caso, à margem da visita que manteve esta tarde às obras da Paróquia de Achada São Filipe, o chefe do Governo afirmou tratar-se de “uma relação laboral entre uma entidade patronal, que é a RTC, o seu Conselho de Administração, e uma diretora”, e não de uma jornalista em pleno exercício da profissão. 

“Que eu saiba é uma diretora, não uma jornalista no exercício da sua função. Portanto, tudo o resto à volta, ataque à liberdade de imprensa, é claro que os jornalistas têm a sua liberdade de se expressar, as suas preocupações, a liberdade de imprensa é um valor absoluto que deve ser protegido, mas também devemos ter o devido cuidado para saber se efectivamente a motivação do processo disciplinar, se se trata de cercear a liberdade de alguém”, declarou.

Ulisses Correia e Silva apelou ainda à análise objectiva dos factos, afastando leituras políticas.

“Para além de tudo aquilo que é politiquice, que às vezes se alimenta destas questões, eu gostaria de ser muito mais pragmático e verificar, na prática, se se confirma, com dados objectivos e talvez com entidades externas, para além daqueles que estão directamente envolvidos”, sublinhou.

O primeiro-ministro defendeu que apenas com provas concretas de que a suspensão teve como motivação o cerceamento da liberdade dos jornalistas “ou da profissão livre do jornalismo” poderão ser tomadas outras medidas.

“Esta parte é que falta de facto ser provada e comprovada, porque se for provada e comprovada, evidentemente que outras intervenções poderão ser feitas”, concluiu o chefe do Governo.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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joão do rosário
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