domingo, 25 outubro 2026

FMI: PALOP vão ter de apertar política orçamental

 

"Na política tributária em si, reduzir as isenções fiscais e aumentar os impostos sobre bens imobiliários, terras e prédios" é também parte da fórmula para atingir esse objetivo, referiu.Para este economista, que é um dos principais autores do relatório sobre as economias da África subsaariana, que foi divulgado quinta-feira, no âmbito dos Encontros Anuais do Banco Mundial e do FMI, os países lusófonos devem imprimir "mais transparência, disponibilidade de dados e melhorias no sistema de finanças públicas para ajudar a descer o custo de financiamento e aceder a mecanismos inovadores de financiamento".

 

"A curto e médio prazo, estes países vão ter de fazer um esforço de aperto da política orçamental, que tem de ser disciplinada e prudente para reduzir o nível de dívida elevada e trazer a dívida para uma trajetória descendente", disse o chefe adjunto na divisão de estudos regionais do departamento africano do FMI, que prevê um rácio da dívida face ao Produto Interno Bruto (PIB) nos 65%, a nível regional.

Em entrevista à agência Lusa, António David apontou que "o que pode ajudar a fazer isso é a maior mobilização de receitas, através da digitalização, melhor fiscalização e integração dos sistemas aduaneiros com a autoridade tributária".

"Na política tributária em si, reduzir as isenções fiscais e aumentar os impostos sobre bens imobiliários, terras e prédios" é também parte da fórmula para atingir esse objetivo, referiu.

Para este economista, que é um dos principais autores do relatório sobre as economias da África subsaariana, que foi divulgado quinta-feira, no âmbito dos Encontros Anuais do Banco Mundial e do FMI, os países lusófonos devem imprimir "mais transparência, disponibilidade de dados e melhorias no sistema de finanças públicas para ajudar a descer o custo de financiamento e aceder a mecanismos inovadores de financiamento".

Crescimento das economias dos PALOP

O FMI prevê um crescimento na generalidade das economias dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com exceção da Guiné Equatorial, que deverá sofrer uma recessão de 1,6% este ano.

Questionado sobre a razão da melhoria das previsões económicas face a abril, quando o FMI divulgou as Perspetivas Económicas Regionais para a África subsaariana, António David disse que o principal fator foi que a guerra comercial que se antevia acabou por não se concretizar, melhorando o panorama macroeconómico e comercial da região.

"O que mudou desde abril foi a resiliência da região e o cenário externo que, apesar de difícil, está menos negativo do que imaginávamos em abril; as tensões comerciais estão menos agudas, o nível de tarifas impostas pelos Estados Unidos é menor que em abril, não houve uma retaliação geral e não vemos uma guerra comercial que podia ter acontecido, não houve medidas protecionistas e, apesar do cenário não ser favorável, é menos desafiante do que esperávamos em abril", afirmou o economista do FMI.

A região da África subsaariana deverá crescer 4,1% este ano, o mesmo que no ano passado, acelerando depois para 4,4% no próximo ano.

Face a abril, o FMI reviu em alta a previsão de crescimento para este ano para estas economias, passando de 3,6%, em abril, para 4,1%, agora.

 ANO 2025                        PIB     INFLAÇÃO

 ANGOLA.                         2,1      21,6

 CABO VERDE                  5,2     1,5

 GUINÉ-BISSAU                5,1     2,0

 GUINÉ EQUATORIAL      -1,6     2,9

 MOÇAMBIQUE                 2,5     4,9

 SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE  2,9     9,7

 FONTE: Perspetivas Económicas Mundiais, outubro de 2025

 

A Semana com DW África/Lusa 

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
19 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
21 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport