domingo, 25 outubro 2026

Quase metade da população mundial sem acesso a uma dieta saudável e acessível, diz estudo

A EAT-Lancet avança com metas baseadas na ciência para um “futuro alimentar sustentável, saudável e justo”, através da adoção da dieta da saúde planetária, uma estrutura alimentar flexível e rica em vegetais.Se a este sistema alimentar se juntar os esforços globais para reduzir o desperdício para metade, se forem implementadas práticas agrícolas sustentáveis e travada a conversão agrícola de ecossistemas ainda intactos, o mundo pode melhorar a saúde pública, restaurar a saúde planetária e fornecer alimentos suficientes a uma população global prevista de 9,6 mil milhões de pessoas até 2050, alega a comissão.

As conclusões constam do relatório de uma comissão da revista científica Lancet, composta por dezenas de especialistas de vários países, que salienta que a produção de alimentos contribui para 30% das emissões de gases com efeito de estufa, sendo a maior impulsionadora das transgressões dos limites do planeta, através dos impactos no clima, na biodiversidade, no consumo de água doce e nas alterações no uso da terra. 

Os especialistas da EAT-Lancet concluíram que, embora se produzam globalmente alimentos em quantidade suficiente, quase metade dos oito mil milhões de pessoas do mundo — cerca de 3,7 mil milhões — não tem um acesso fiável a alimentos saudáveis, a um ambiente limpo ou a um salário digno.

Segundo o estudo, cerca de 30% da população mundial é responsável por aproximadamente 70% das pressões ambientais provocadas pelos sistemas alimentares.

 

“Esta crise de desigualdade e de danos ambientais ameaça a saúde humana e a resiliência do planeta Terra”, alerta o grupo de peritos de várias áreas, como nutrição, ciências ambientais, economia, agricultura, justiça e políticas de saúde.

A EAT-Lancet avança com metas baseadas na ciência para um “futuro alimentar sustentável, saudável e justo”, através da adoção da dieta da saúde planetária, uma estrutura alimentar flexível e rica em vegetais.

Se a este sistema alimentar se juntar os esforços globais para reduzir o desperdício para metade, se forem implementadas práticas agrícolas sustentáveis e travada a conversão agrícola de ecossistemas ainda intactos, o mundo pode melhorar a saúde pública, restaurar a saúde planetária e fornecer alimentos suficientes a uma população global prevista de 9,6 mil milhões de pessoas até 2050, alega a comissão.

Os investigadores concluíram também que a mudança nos sistemas alimentares e nas dietas globais poderia prevenir aproximadamente 15 milhões de mortes prematuras a cada ano, reduzindo as taxas de doenças crónicas associadas a dietas inadequadas, como doenças cardíacas, diabetes e cancro. 

A EAT-Lancet recomenda a adoção de dietas ricas em vegetais e culturalmente apropriadas, complementadas por uma ingestão moderada de alimentos de origem animal, como carne vermelha, aves, peixe, ovos e produtos lácteos, assim como uma reduzida utilização de açúcares adicionados, gorduras saturadas e sal.

O relatório indica ainda que a adoção de dietas saudáveis e a redução da procura de alimentos com utilização intensiva de recursos, como a carne vermelha, permitem diminuir em cerca de 15% emissões de gases de carbono, em relação aos valores de 2020.

“Transformar os sistemas alimentares é um desafio ambiental e social significativo, mas é uma pré-condição para que tenhamos a hipótese de regressar a um sistema climático seguro e a um planeta saudável”, alertou Johan Rockström, copresidente da comissão e diretor do Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Climático.

O relatório conclui que investimentos anuais de 200 a 500 mil milhões de dólares para transformar os sistemas alimentares irão gerar retornos superiores a cinco triliões de dólares por ano, incluindo poupanças com custos evitados com a saúde, aumento da produtividade e redução dos danos ambientais.

Este financiamento pode ser desbloqueado através do redirecionamento dos subsídios agrícolas e da pesca, mobilizando as verbas necessários para o clima e a biodiversidade e investimentos privados alinhados com as metas ambientais e sociais, defendem os especialistas.

 

A Semana com Observador/Lusa

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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