domingo, 25 outubro 2026

Portugal e Espanha podem ser a resposta que a Europa precisa para enfrentar "época dos monstros"

 

Ao mesmo tempo, cresce no continente uma extrema-direita que, na opinião de Jorge Dezcallar, já não é marginal. "Em 1984 representava 4% dos votos nas eleições europeias; nas últimas europeias, saltou para 20%." Esse crescimento é, na sua leitura, um sintoma da inquietação coletiva e do descrédito das instituições democráticas, cada vez mais vistas como "máquinas partidárias ao serviço de interesses próprios", incapazes de responder às necessidades dos cidadãos. “A democracia está em decadência”, avisou.

 

O cenário que desenha é o de uma militarização do discurso político. Fala-se de aumentar a despesa em armamento, discute-se com fervor o regresso do serviço militar obrigatório, e a guerra volta a estar no centro das conversas, não como hipótese distante, mas como risco real. Neste contexto, a Europa, insiste, não pode continuar a confiar no guarda-chuva americano. “Temos de ser capazes de tomar nas nossas mãos o nosso próprio futuro. Temos de colocar o destino europeu nas nossas mãos.”

Se Jorge Dezcallar trouxe ao debate o peso da geopolítica e da história, Carlos Carreiras trouxe o olhar da governação local, sem negar a gravidade dos tempos, mas com a convicção de que é preciso cultivar esperança. “Um presidente de Câmara tem necessariamente de ser um otimista. O maior défice que temos neste momento é a utopia. Abandonámos o sonho”, afirmou.

 

O autarca de Cascais recordou que há cem anos o mundo atravessava um ciclo inquietantemente semelhante: pandemia, seguida de guerra. “Vivemos de novo essa fase. A diferença é que ainda não chegámos ao nosso 1945. Ainda não chegámos ao fim da guerra. Estamos nesta ponte, entre duas margens.”

Carlos Carreiras insiste ainda num ponto essencial: a democracia precisa de ser rejuvenescida e reinventada. Em Cascais, diz, a aposta em modelos de democracia participativa e colaborativa tem dado frutos, não apenas na aproximação entre cidadãos e governantes, mas também na resistência ao populismo. “Aqui os extremismos não têm prevalecido. E isso mostra que é possível redemocratizar a democracia.”

Para o autarca, o futuro da governança não passa pelos governos nacionais, cada vez mais condicionados por forças globais e mercados que escapam ao controlo dos Estados, mas sim pelos municípios. “Um primeiro-ministro já não manda. Um presidente de Câmara manda. É ao nível local que conseguimos ser consequentes.”

 

Jorge Dezcallar fez mais um aviso sombrio: “Estamos na época dos monstros. Não sabemos se voltaremos a ter instituições internacionais fortes. O futuro é uma incógnita.” No entanto, não deixou de sublinhar que Portugal e Espanha, apesar das diferenças, entendem-se bem e têm muito a ganhar se souberem agir em conjunto. “Partilhamos língua, valores civilizacionais e história. Temos de os defender porque acreditamos que são bons.” A Semana com CNN Portugal

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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joão do rosário
21 dias atrás

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