segunda-feira, 26 outubro 2026

ENTREVISTA: “O legado que quero deixar é uma democracia mais forte" – Carlos Veiga

 

“Portanto, temos que avançar mais. Claro que os contextos são diferentes, os recursos também são muito diferentes, mas se eles conseguem, nós também temos que conseguir. Recurso humano não falta. É capricharmos, estarmos mais unidos, mais consensuais em questões que sejam essenciais para toda a comunidade e sociedade cabo-verdiana. Temos que fazer isso”, desafiou.

 

 

Em entrevista à Inforpress a figura histórica da política nacional, que almeja uma democracia cada vez mais forte e, sobretudo, de um nível de desenvolvimento da forma que todos possam viver não só em liberdade, mas também em condição justa de vida, reiterou que foi para isso que se fez o 13 de Janeiro, para que as pessoas tivessem liberdade e desenvolvimento.

Considerando que isto “está a acontecer”, Carlos Veiga observou, entretanto, que se se fizer a comparação com outros estados insulares, Cabo Verde “não está bem” na fotografia. 

“Portanto, temos que avançar mais. Claro que os contextos são diferentes, os recursos também são muito diferentes, mas se eles conseguem, nós também temos que conseguir. Recurso humano não falta. É capricharmos, estarmos mais unidos, mais consensuais em questões que sejam essenciais para toda a comunidade e sociedade cabo-verdiana. Temos que fazer isso”, desafiou. 

Na sua percepção, há um caminho a percorrer que, entretanto, ainda não foi percorrido, porque, conforme reflectiu, ou não se conseguiu chegar a entendimento entre partidos ou há opiniões completamente divergentes na sociedade o que “torna difícil” orientar-se por um caminho.

Ao fazer esta leitura, apelou à união entre partidos para alcançar uma "democracia cada vez mais forte", discordando da ideia de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não beneficia a população. 

“Há coisas que nós todos, como comunidade cabo-verdiana, temos que contribuir para que, de facto, o país se desenvolva mais. Nenhum país no mundo, por mais desenvolvido que seja, consegue garantir que a riqueza chegue a todas as casas", ponderou o ex-primeiro-ministro que governou o país no período 1991/2000.

O ex-governante, o primeiro chefe de Governo da nação eleito através de eleições multipartidárias, e um dos principais nomes de oposição ao regime de partido único existente na altura, insiste que há que trabalhar para ultrapassar as guerrilhas e criar consensos “fundamentais” para que o país avance com consenso.

“Não há outra forma. E isso é o que nos está a faltar neste momento. Ao longo do tempo em que fiz política aqui em Cabo Verde, procurei muito consenso”, sublinhou, insistindo que a ausência de acordo entre as forças políticas é o principal entrave para o desenvolvimento do país.

Para ilustrar o seu ponto de vista, partilha a sua experiência, mencionando o seu papel na redacção da Constituição, que exige maiorias de dois terços, e a revisão constitucional de 2010 feita em conjunto com o PAICV, liderado por José Maria Neves.

Por outro lado, destacou a criação do Tribunal Constitucional como um “exemplo de sucesso” alcançado pelo consenso, apesar das dificuldades iniciais para eleger os juízes.

“O Tribunal Constitucional, é hoje o melhor tribunal que temos em Cabo Verde. Levou muito tempo, porque não se chegava a consenso sobre os nomes dos juízes que a Assembleia tinha que eleger. Eu consegui fazer isso, porque convenci o grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD) a aceitar Aristides Lima como um dos juízes”, ilustrou o ex-governante.

Citou ainda a nomeação de embaixadores do PAICV por ele mesmo em 1991, defendendo que, quando o interesse de Cabo Verde está em jogo, o patriotismo deve prevalecer sobre as divergências partidárias.

“Eu nomeei embaixadores que eram do PAICV. Mais do que um”, lembrou, concluindo que quando as pessoas não querem chegar a acordos, “tem problema”.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
19 dias atrás

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jcf
20 dias atrás

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