terça-feira, 27 outubro 2026

Antigo PR diz que o Desastre da Assistência deve ser lembrado como uma das tragédias humanas em Cabo Verde

 

Foi a 20 de Fevereiro de 1949 que esta tragédia bateu sobre a capital cabo-verdiana, mais concretamente na localidade da Várzea da Companhia, onde foi construído um barracão para servir refeições quentes aos indigentes que o procuravam para matar a fome.“A história de Cabo Verde está marcada por tragédias e por dificuldades enormes”, frisou o antigo chefe de Estado, para quem os cabo-verdianos não devem esquecer essas tragédias que marcaram o seu passado.

 

“A tragédia do muro da assistência deve servir para uma reflexão sobre a nossa história, porque, por vezes, nós esquecemos da nossa história, ela foi trágica”, disse Pedro Pires.

O antigo Presidente da República fez estas considerações, ao ser abordado pela Inforpress, à margem de uma conversa alargada para assinalar os 50 anos das eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, para se pronunciar sobre o Desastre de Assistência de 1949, na cidade da Praia, em que morreram centenas de pessoas que aguardavam por uma única refeição quente do dia.

Pires classifica este acontecimento como a “mais terrível catástrofe” de todos os tempos registada em Cabo Verde, pelo que, defende que a data devia ser assinalada com actos oficiais na Assembleia Nacional.

Para o efeito, avançou o antigo chefe de Estado, deve haver uma discussão entre os deputados e partidos políticos com assento parlamentar, para que deem atenção ao caso do Desastre de Assistência e, de uma forma geral, os períodos de fome que grassaram o País.

Foi a 20 de Fevereiro de 1949 que esta tragédia bateu sobre a capital cabo-verdiana, mais concretamente na localidade da Várzea da Companhia, onde foi construído um barracão para servir refeições quentes aos indigentes que o procuravam para matar a fome.

“A história de Cabo Verde está marcada por tragédias e por dificuldades enormes”, frisou o antigo chefe de Estado, para quem os cabo-verdianos não devem esquecer essas tragédias que marcaram o seu passado.

O combatente da liberdade da Pátria lembrou que entre 1940 a 1942, cerca de metade da população da ilha do Fogo morreu de fome.

“Isso é uma tragédia, mas quem se lembra disso? Interroga-se Pedro Pires, mencionando outras ilhas, como São Nicolau e Santo Antão que também muito afectadas por crises agrícolas e fomes.

Para Pedro Pires, os cabo-verdianos da sua geração têm sido perseguidos pelo fantasma da fome.

“A questão da fome marca-nos como, há dias disse uma socióloga, é uma espécie de trauma transgeracional”, apontou Pires.

Durante as fomes, milhares de cabo-verdianos nunca souberam onde é que os seus entes queridos foram enterrados. Muitos corpos apodreceram nas achadas, nos covões e nas furnas à beira mar.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
19 dias atrás

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jcf
21 dias atrás

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joão do rosário
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